Não há dúvidas de que António Félix da Costa está sendo preparado pela Red Bull
Não há mais nenhuma dúvida de que António Félix da Costa está sendo preparado para assumir uma vaga na Red Bull nos próximos anos. A maior prova disso aconteceu neste sábado, dia 27, durante o treino classificatório da etapa de Aragón da World Series by Renault. Pouco depois de receber a bandeira quadriculada, o luso ficou parado na pista por causa de uma pane seca.
Dessa forma, o piloto da Arden Caterham perdeu o terceiro lugar obtido no grid e foi obrigado a largar da última colocação.
Vale lembrar que a Red Bull passou por esse problema na F1 duas vezes recentemente. A primeira aconteceu no GP de Abu Dhabi do ano passando, com Sebastian Vettel, então na luta pelo terceiro título. Naquela prova, o germânico ainda conseguiu se recuperar, subindo ao pódio em terceiro.
Mark Webber, por sua vez, foi ‘sorteado’ pela RBR no GP da China deste ano. Depois de também ficar sem combustível no Q2 da classificação, o australiano viveu uma maré de azar em Xangai, culminando com uma roda solta durante a corrida, o que forçou o abandono.
Agora foi a vez de Félix da Costa passar pela mesma situação. Como na World Series os carros são iguais e a duração da corrida é menor, o luso fez uma boa prova de recuperação, mas acabou apenas no 13º lugar, sem conseguir marcar pontos. Assim, o português continua com 25 pontos na classificação geral, enquanto Kevin Magnussen, o líder, já soma 61.
Agora o piloto luso está 36 pontos atrás de Magnussen na classificação geral
É claro que pane seca geralmente é consequência de erro humano, ainda mais em uma categoria de base, mas há uma explicação para o que aconteceu neste sábado. Pressão.
No ano passado, como FDC não havia disputado todo o campeonato da World Series by Renault, a equipe Arden Caterham não estava pressionada. Independentemente do que o luso fizesse nas provas, o resultado já seria melhor que a última colocação de Lewis Williamson, que começou o ano pelo time.
Dessa vez a história é diferente. Félix da Costa é o favorito absoluto ao título da WS, então nem ele, nem a equipe podem errar. O problema é que o fim de semana em Aragón começou com Kevin Magnussen, da Dams, tendo um desempenho assombroso, sendo o mais rápido nos três treinos realizados.
Para tentar parar o dinamarquês – ou ao menos diminuir o prejuízo – a Arden Caterham precisou ir no limite para o treino classificatório, daí a margem elevada para o erro que deu na pane seca.
O resultado foi terrível para o lisboeta, que soma apenas 25 pontos em três corridas até aqui, graças à vitória na segunda prova de Monza. É claro que está muito cedo para falar qualquer coisa, e FDC tem tempo suficiente para se recuperar, mas esse início tumultuado de temporada pode pesar. Se ele acabar o ano com o vice-campeonato, devido a uma diferença menor que 26 pontos com relação a Magnussen, a culpa terá sido desse fraco início.
A World Series by Renault é sem dúvidas o campeonato mais charmoso de todos
A World Series by Renault sentiu o golpe. Depois de contar com um grid megacompetitivo na temporada passada, com pilotos dos programas de desenvolvimento de Ferrari, McLaren, Mercedes, Lotus e Red Bull, a categoria não conseguiu emplacar seus campeões na F1 e, como resultado, viu o enfraquecimento do grid para 2013.
No ano passado, o título foi decidido na corrida final, quando Robin Frijns e Jules Bianchi se tocaram nas últimas voltas da etapa de Barcelona. Embora o duelo não tenha sido épico na pista, os dois pilotos deixaram o campeonato bastante valorizados. O problema é que eles praticamente não conseguiram dar grandes passos na carreira desde então.
Bianchi, por exemplo, só arrumou uma vaga na F1 aos 45 do segundo tempo, quando Luiz Razia foi dispensado pela Marussia devido a problemas com os patrocinadores. Com isso, o francês, empresariado por Nicolas Todt e contando com o apoio da Academia Ferrari, só se garantiu na principal categoria do automobilismo mundial na pior equipe.
A sorte de Frijns foi ainda pior. O holandês arrumou a vaga de reserva na Sauber, mas não vai correr de nada neste ano porque não tem dinheiro. Isso depois de vencer três campeonatos consecutivos na carreira. Para piorar, ele até sondou uma ida à GP2. Chegou a participar dos treinos da pré-temporada, teve um desempenho bom para um estreante, mas a Sauber optou por mantê-lo apenas como reserva.
O resto do grid passou longe da F1. Sam Bird, por exemplo, foi mantido na função de reserva da Mercedes, mas o britânico também vai se dedicar à GP2 neste ano. Ele foi contratado pela Russian Time e está de volta à categoria.
Stoffel Vandoorne é o homem a ser observado em 2013
Percebeu que há um padrão aí? Dos três primeiros da World Series by Renault no ano passado, dois procuraram seguir a carreira na GP2. E há uma explicação para isso. A categoria de Bruno Michel emplacou três pilotos na F1 em 2013: Esteban Gutiérrez (terceiro), Max Chilton (quarto) e Giedo van der Garde (sexto). Isso sem falar em Razia.
A consequência foi óbvia. Os pilotos perceberam que precisam estar no caminho da GP2/GP3 se um dia quiserem ter chances de chegar à F1. Por isso, houve uma queda na qualidade do grid da World Series em 2013. Primeiro, além de perder Frijns, Bianchi e Bird, o campeonato também viu nomes promissores, como Richie Stanaway, Kevin Korjus, Nick Yelloly e Alexander Rossi irem embora.
Para o lugar deles, não houve grandes contratações. Se nos últimos anos a WSR se destacou por atrair campeões das diversas F3, além da própria GP3, dessa vez o campeonato viu apenas a chegada de coadjuvantes. A única exceção é Stoffel Vandoorne, campeão da F-Renault Eurocup no ano passado e que ganhou uma bolsa para competir na categoria de cima neste ano.
Os carros da Carlin, com rodas cromadas, ficaram sensacionais
De resto, são poucos os novos nomes interessantes. Destaque para Nigel Melker, que veio da GP2, Sergey Sirotkin (russo de 17 anos, terceiro colocado na Auto GP no ano passado), Jazeman Jaafar (vice da F3 Inglesa), Pietro Fantin, Marlon Stockinger e Christopher Zanella.
Completam a lista de novidades Norman Nato, Matias Laine, Mihai Marinescu, Emmanuel Piget e Oli Webb, que retorna à categoria depois de um péssimo ano na Indy Lights.
De qualquer forma, uma coisa precisa ficar clara. Embora o grid tenha ficado enfraquecido com relação ao ano passado, isso não quer dizer que ele seja fraco. Há muitos pilotos de qualidade, que podem arrumar uma vaga na F1, contando com algum dinheiro e principalmente sorte de estar no lugar certo e na hora certa.
O principal nome, claro, é António Félix da Costa. O luso entra na competição como favorito depois de conquistar quatro vitórias nas últimas cinco corridas do ano passado. Mas para ficar com o título, o lisboeta terá algumas dificuldades.
Será todos contra António Félix da Costa?
A primeira é encerrar um jejum de títulos da Red Bull no certame. Mesmo tendo levado nomes como Sebastian Vettel, Robert Wickens, Jaime Alguersuari, Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne para competir, a empresa austríaca jamais conquistou a taça da World Series. Mas há uma explicação para isso. Geralmente, os pilotos rubro-taurinos já estão tão envolvidos no trabalho com a F1 que a WSR é colocada de lado. Por isso, mesmo com o favoritismo, Félix da Costa não vai ter vida fácil.
O outro problema é que há adversários fortíssimos. Para ser campeão, o luso precisará vencer Kevin Magnussen (apoiado pela McLaren) e Marco Sorensen (Lotus), que também despontam como favoritos, ao lado de Vandoorne. Em um segundo escalão ainda aparecem Nico Müller e Mikhail Aleshin, que briga pelo bicampeonato, e Arthur Pic.
Para encerrar, falo da situação dos brasileiros. Curiosamente, o Brasil é, ao lado da Rússia, o país de maior delegação no campeonato, com quatro representantes. Além de Lucas Foresti, Yann Cunha e André Negrão, que já haviam competido no ano passado, agora ainda há a estreia de Fantin.
Entretanto, mesmo com quatro pilotos, os brasileiros não aparecem entre os favoritos ao título. Do quarteto, acredito que Negrão e Foresti possam brigar por pontos constantemente e até mesmo por pódios, enquanto Fantin tem chances de ter um desempenho aceitável para um novato.
Sempre favorita ao título da World Series by Renault, a Carlin confirmou nesta semana a dupla para a nova temporada. O malaio Jazeman Jaafar, atual vice-campeão da F3 Inglesa, terá como companheiro o colombiano Carlos Huertas, que estava na Fortec.
Curiosamente, essa não é a primeira vez que esses dois pilotos vão dividir a equipe. Eles foram parceiros em 2011, na F3 Inglesa, quando Huertas terminou com a terceira colocação e Jaafar foi o sexto.
Para uma escuderia que teve Will Power, Sebastian Vettel, Jean-Éric Vergne, Oliver Turvey e Jaime Alguersuari em suas canteras, a nova dupla foi recebida com certo desanimo, afinal trata-se de dois pilotos que pouco mostraram até agora em suas carreiras.
Jaafar é, de longe, quem teve mais sucesso. O malaio foi campeão da F-BMW Asiática antes de se mudar para a Europa. No entanto, no Velho Continente precisou de três temporadas na F3 Inglesa para ganhar a primeira corrida, terminando com o vice em 2012.
Huertas, por sua vez, também disputou o campeonato inglês por três anos – conquistando uma única vitória nesse período – antes de fechar 2011 com o terceiro lugar. O colombiano disputou, ainda, a World Series by Renault no ano passado, marcando apenas 35 pontos, sendo o 16º na classificação final.
Mesmo com a nova dupla não empolgando, a Carlin espera repetir uma receita de sucesso para ficar com o título de 2013. Nas duas vezes que a escuderia inglesa conquistou a taça da World Series by Renault, seus pilotos já eram velhos conhecidos.
Mikhail Aleshin só conseguiu bons resultados depois que passou um ano longe da Carlin
Entre 2006 e 2008, a equipe inscreveu um carro para Mikhail Aleshin e, a partir de 2007, outro para Robert Wickens. Ambos faziam parte do programa de jovens pilotos da Red Bull, mas pouco renderam na categoria. Nesse tempo, eles conseguiram somente uma vitória cada, enquanto o russo teve o melhor resultado final com o quinto lugar em 2008.
Na temporada seguinte, a Red Bull decidiu que ambos iriam competir na então recém-criada F2, fazendo com que a Carlin fosse obrigada a apostar em outros pilotos. Na categoria da FIA, Wickens fechou com o vice-campeonato, enquanto Aleshin terminou com o terceiro lugar. Insatisfeita com o resultado, a empresa rubro-taurina acabou dispensando os dois.
Aí, quem entrou em cena foi a Carlin. Em 2010, a equipe inglesa resolveu dar uma nova chance a Aleshin. Mesmo competindo contra Daniel Ricciardo, da poderosa Tech 1, o russo finalmente conquistou o título da World Series, com três vitórias na campanha.
Em 2011, foi a vez de Wickens voltar ao time. Depois de ter ficado com o vice-campeonato da GP3, o canadense foi chamado pela escuderia inglesa para ser parceiro de Jean-Éric Vergne. Mesmo pressionado pelo francês até a última corrida, Robert conseguiu levantar a taça de campeão com cinco vitórias e sete poles.
Para a nova temporada, a estratégia é a mesma: apostar que o retorno de Huertas à escuderia seja o suficiente para levá-lo ao título.
A Carlin, na verdade, é uma das equipes que melhor trabalha a relação com os pilotos. Desde quando começou a participar da World Series, a escuderia ajudou na transição da F3 para os carros maiores de nomes como Narain Karthikeyan, Alguersuari, Turvey, Vergne e Kevin Magnussen, além de agora Jaafar. Isso sem contar Antonio Félix da Costa, que começou o relacionamento do time em Macau, em 2010, rendeu uma participação na GP3 e foi coroada com o título no Circuito da Guia no ano passado.
Apesar disso, o maior exemplo para nós aqui no Brasil é o de Felipe Nasr. Depois de conquistar o título da F3 Inglesa, em 2011, pela Carlin, o brasiliense acertou o retorno à escuderia no fim do ano passado, onde já competiu no GP de Macau, além de competir na GP2 neste ano.
E pensar que Lewis Williamson era a aposta da Red Bull para a F1
Pior do que tirar o chefe no amigo secreto de fim de ano deve ter sido dar um presente a Helmut Marko, na brincadeira da Red Bull. Apesar do tricampeonato conquistado pela equipe austríaca na F1, o conselheiro terminou 2012 extremamente irritado com o desempenho do Junior Team ao longo dos últimos meses.
Isso tudo em um ano que a Red Bull resolveu aumentar o investimento nas categorias de base, apostando em seis jovens pilotos. Assim, o ano começou com Carlos Sainz Jr, Daniil Kvyat, Lewis Williamson, Callan O’Keeffe, Stefan Wackerbauer e Alex Albon representando as cores rubro-taurinas nos campeonatos menores.
Apesar do plantel recheado, o sinal de que alguma coisa estava errada veio quando Williamson foi dispensado após apenas três etapas na World Series by Renault. Após uma péssima pré-temporada, o escocês ocupava a última colocação no campeonato e acabou liberado pelo programa para dar lugar a António Félix da Costa. Como se sabe, o português deu conta do recado e fechou o ano com quatro vitórias nas últimas cinco corridas da WS, além do título no GP de Macau de F3.
No entanto, as conquistas praticamente pararam por aí. O outro garoto a ter vencido em 2013 foi Kvyat, que ficou com o título da F-Renault Alps. Na Eurocup, porém, o russo encerrou com o vice-campeonato, ampliando o jejum rubro-taurino no certame. Entre os demais representantes do programa, só derrota.
Wackerbauer, que era apontado como novo Vettel por ter sido descoberto pela Red Bull em parceria com a BMW, assim como o tricampeão da F1, foi apenas o 11º na F-Renault, tendo pontuado somente em cinco das 14 corridas. Já Albon foi ainda pior. Um dos mais jovens representantes do grid, o piloto fechou o ano em 37º, tendo somado sequer um único ponto.
Sainz, por sua vez, decepcionou ao se tornar o primeiro piloto da Red Bull a não ter conquistado o título da F3 Inglesa, isso em uma temporada em que disputou também a F3 Europeia, acumulando uma quilometragem muito maior que a dos adversários.
Por fim, O’Keeffe fechou a fase preliminar da BMW Talent Cup com quatro vitórias (mais que qualquer outro competidor), mas acabou a grande decisão – a única que vale pontos – somente em nono.
Callan O’Keeffe já andou testando pela Adac Masters
Em outras palavras, Marko encerrou o ano com um cenário de terra arrasada em seu programa, visto que a Red Bull só não foi pior que o Palmeiras em 2012. Para tentar melhorar as coisas, o dirigente já aplicou medidas extremas no Junior Team para o próximo ano.
Em primeiro lugar, sobrou para Wackerbauer e para Albon, que não retornam ao programa em 2013. Com isso, Félix da Costa, Kvyat, Sainz e O’Keeffe são os únicos representantes confirmados, embora ainda exista a possibilidade de algum nome ainda vir a ser anunciado.
Depois, o time decidiu mudar as categorias em que participa. Nos últimos anos, a Red Bull esteve na BMW Talent Cup, F-Renault, F3 Inglesa, World Series by Renault, além da própria F1. Para 2013, Callan O’Keeffe já afirmou que deve trocar o certame da BMW e ir competir na Adac Masters (equivalente alemão à F-Renault).
Kvyat e Sainz, que surpreendentemente não foram cortados, devem dividir a Arden na GP3, sendo que o espanhol pode aparecer na World Series by Renault, onde António Félix da Costa também deve competir.
O mais interessante dessas mudanças é que dá a impressão de a Red Bull estar atirando para todos os lados. Se eles mudassem apenas os pilotos, mas mantivessem os competidores na F-Renault e na F3, concluiríamos que o problema eram os atletas, que estavam abaixo do esperado pela empresa.
Por outro lado, mudando os campeonatos do qual participa, você dá a entender que o desenvolvimento dos garotos estava sendo comprometido por disputarem determinado certame. Mas, trocando tanto atletas quanto equipamento, parece que a empresa energética está desesperada para retomar a liderança no quesito desenvolvimento de jovens pilotos.
Por fim, acho que as dispensas foram acertadas, mas elas não corrigem o principal problema rubro-taurino, a captação errada de atletas. Quando há outros interesses na hora de recrutar jovens talentos – como agradar a algum dirigente da empresa ou estar de olho em algum mercado consumidor para as latinhas –, é claro que o resultado na pista será comprometido. Não tenho dúvidas de que foi isso o que aconteceu na geração de 2012.
Novato, rápido e polêmico, Robin Frijns foi campeão da World Series em 2012
Como já é tradição aqui no World of Motorsport, todos os anos eu escolho uma categoria do automobilismo mundial para fazer uma retrospectiva detalhada e lembrar tudo o que aconteceu ao longo dos últimos 12 meses. E pela terceira vez consecutiva, o certame sorteado foi a World Series by Renault – caramba, que coincidência!
A verdade é que a World Series teve um ano muito bom em 2012. O campeonato havia terminado 2011 bastante valorizado e por isso conseguiu atrair muitos pilotos promissores para a nova temporada. Todo esse sucesso foi montado a partir do desempenho de quatro pilotos na temporada passada: Daniel Ricciardo, Alexander Rossi, Jean-Éric Vergne e o campeão Robert Wickens, apelidados de Quarteto Fantástico.
Os quatro chegaram a negociar com a F1 para correr em 2012, mas só os meninos da Red Bull tiveram sucesso. Ainda assim, Wickens conseguiu descolar uma vaga com a Mercedes no DTM, enquanto Rossi resolveu permanecer na categoria, trocando a Fortec pela Arden Caterham.
Sem o americano, a Fortec se reforçou ao acertar a contratação de Robin Frijns, que havia sido campeão da F-Renault Eurocup no ano anterior. Quem foi anunciado como companheiro de equipe do holandês foi Carlos Huertas, que havia disputado a F3 Inglesa pela Carlin. No entanto, a equipe bicampeã da WS, havia fechado o plantel com Kevin Magnussen e com Will Stevens, deixando o colombiano sem vaga.
Além de Magnussen, outro dinamarquês na disputa era Marco Sorensen, que acertou com a Lotus ao lado do badalado Richie Stanaway, campeão da F3 Alemã. Entre as demais principais vagas, Nico Müller fechou com a Draco, sendo companheiro de André Negrão, e Nick Yelloly trocou a Pons pela Comtec.
Por fim, Mikhail Aleshin, campeão de 2010, retornou ao certame para correr pela russa RFR, enquanto a Red Bull definiu que Lewis Williamson ia ser a mais nova aposta da casa taurina, na Arden Caterham. Os últimos acertos, porém, foram os mais importantes. Cansado da GP2, Sam Bird trocou a categoria de Bruno Michel pela World Series, sendo contratado pela ISR pra substituir Ricciardo. Já Jules Bianchi foi colocado no campeonato pela Ferrari para que ele pudesse disputar os treinos livres da F1 e se manter ativo. O francês acertou com a sempre favorita Tech 1, que já contava com o bom Kevin Korjus.
O grid da World Series by Renault 2012 estava formado
Com os planteis montados, os treinos livres da World Series mostraram que Kevin Magnussen, Marco Sorensen e Robin Frijns começavam a temporada como favoritos.
Entretanto, quem saiu na frente foi Arthur Pic, que conquistou a pole-position para a etapa de abertura, em Aragón. O problema é que na largada o francês tracionou muito mal e acabou ultrapassado por Yelloly. Outros carros também tiveram problemas para sair, fazendo com que todo mundo dividisse as primeiras curvas, causando um verdadeiro salve-se quem puder.
Logo no começo, Müller, Stanaway, Rossi e Giovanni Venturini abandonaram, enquanto Bird e Bianchi rodaram ao se envolver no salseiro. Os veteranos, porém, usaram toda a experiência para se recuperarem, com Bianchi grudando em Yelloly nas voltas finais. Apesar de toda a pressão do piloto da Ferrari, o britânico conseguiu manter a ponta e receber a bandeira quadriculada. Jules foi o segundo, enquanto Magnussen terminou em terceiro.
O problema é que o carro do reserva da Force India foi flagrado na inspeção técnica após a corrida, fazendo com que o piloto fosse desclassificado. A equipe Tech 1 chegou a apelar, mas não deu em nada. Assim, Magnussen subiu para a segunda colocação, com Frijns sendo promovido ao terceiro posto.
O fim de semana de pesadelo de Bianchi não parou por aí. Na segunda corrida, o piloto foi punido com um drive-through por culpa de um mecânico, terminando apenas em 12º. A vitória ficou com Frijns, que herdou a liderança após abandono de Marco Sorensen. Sam Bird e Arthur Pic, que novamente havia largado na pole-position, completaram o pódio.
Sam Bird venceu de ponta a ponta em Mônaco
A segunda etapa da temporada da World Series by Renault foi disputada em Mônaco, no mesmo fim de semana da F1. Aí a experiência dos ex-pilotos da GP2 fez toda a diferença. Bird conquistou a pole-position, mesmo depois de sofrer um acidente nos instantes finais do treino classifictório. Rossi ficou com o segundo posto, seguido por Bianchi.
Na corrida, o francês ultrapassou o americano logo na largada, passando a pressionar Bird. O ritmo dos dois veteranos era tão bom, que eles abriram mais de 30s para o terceiro colocado. No entanto, não houve mudanças nas primeiras colocações, e o britânico pôde comemorar a vitória.
Depois de Mônaco, a World Series viajou até Spa-Francorchamps para a terceira etapa de 2012, disputada debaixo de muita, mas muita chuva. Na primeira corrida, a disputa pela vitória estava entre Magnussen e Bird, mas os dois pilotos se tocaram, fazendo com que Marco Sorensen herdasse a vitória. Bianchi foi o segundo e Bird, o terceiro, após se recuperar.
Magnussen, porém, foi recompensado na segunda corrida depois de assumir a liderança ao vencer uma emocionante batalha com Frijns. Nesse momento, a chuva torrencial atingiu o circuito de Spa, fazendo com que Richie Stanaway sofresse um gravíssimo acidente depois de ser catapultado pelo carro de Carlos Huertas. Por causa disso, o neozelandês perdeu todo o restante da temporada com fraturas nas vértebras.
Na pista, Magnussen terminou a corrida em terceiro, mas os dois primeiros colocados – Lewis Williamson e Jake Rosenzweig – não fizeram a parada obrigatória e foram desclassificados. Nick Yelloly voltou a mostrar que é um dos melhores pilotos do grid na chuva, terminando em segundo, seguido por Frijns.
Para a etapa de Nurburgring, o grid da World Series sofreu duas mudanças importantes. A primeira foi a chegada de Cesar Ramos como substituto do lesionado Stanaway na Lotus. A segunda provocaria alterações profundas no campeonato. Insatisfeita com os péssimos resultados de Williamson, a Red Bull resolveu dispensar o escocês, promovendo a contratação de António Félix da Costa, que estava na GP3.
Os estreantes, no entanto, não tiveram vida fácil na Alemanha. Félix da Costa foi apenas o nono colocado na corrida 1, enquanto Ramos fechou três posições atrás. A vitória ficou com Bianchi, que dominou de ponta a ponta. Nico Mülller e Robin Frijns completaram o pódio.
Na segunda prova, Yelloly conquistou o segundo triunfo da temporada, mais uma vez em pista molhada. O inglês começou apenas em 14º, mas conseguiu assumir a primeira colocação ao fazer uma série de ultrapassagens conforme a chuva começava a cair. Como decidiu não parar para colocar pneus de pista molhada, o piloto conseguiu assumir a primeira colocação. Quando a tormenta aumentou, Nick fez a parada obrigatória e pôde cruzar a linha de chegada uma vantagem de 27s para Marco Sorensen. André Negrão apostou em uma estratégia parecida com a do britânico para terminar em terceiro, depois de ser ultrapassado pelo dinamarquês nas voltas finais.
Quinta etapa de 2012, Moscou serviu como marco de metade da temporada. Com isso, Robin Frijns ganhou a chance de pilotar o carro da Red Bull de F1, como prêmio dado ao líder do campeonato nesse momento do ano. O holandês estava empatado com Sam Bird na tabela de pontos, mas como o inglês é reserva da Mercedes, ele não pôde pilotar um carro de uma equipe rival.
Robin Frijns pilotou o carro da Red Bull em Moscou
A experiência em um carro da F1 pareceu ter motivado Frijns, que venceu de ponta a ponta a corrida 1. O holandês chegou a ser pressionado por Sorensen, mas o holandês rodou na última curva do circuito, terminando em quinto lugar. Bianchi e Bird completaram o pódio. Na segunda corrida, Bianchi e Sorensen dividiram a primeira fila e permaneceram lado a lado por algumas curvas, até que os dois se tocaram. Bird, Müller e Cesar Ramos também se envolveram no acidente.
A confusão beneficiou Arthur Pic, que ganhou a primeira colocação e pôde comemorar a primeira vitória da carreira na categoria. O pódio maluco ainda teve Walter Grubmüller e Kevin Korjus, com André Negrão terminando em quarto.
Se você achou essa segunda corrida em Moscou um pouco bagunçada é porque não viu a primeira etapa de Silverstone. Na Inglaterra, uma forte chuva atingiu o circuito pouco antes da largada. A água era tanta que Magnussen bateu logo na segunda volta, quando liderava. Para piorar, a drenagem não funcionou em um ponto da pista, fazendo com que os carros aquaplanassem. Resultado: sete pilotos bateram no mesmo local, incluindo Bird, Sorensen e Müller.
Com todos os problemas, Bianchi optou por fazer a parada nos boxes e colocar os pneus de chuva. Adotando uma pilotagem cautelosa, o francês recebeu a bandeira quadriculada na frente, seguido por Frijns e por Nigel Melker, que substituiu Cesar Ramos na Lotus. Apenas dez carros completaram a corrida, e o sétimo lugar de Lucas Foresti foi o melhor resultado do brasiliense na categoria.
O drama continuou na corrida 2. Com condições melhores, Sam Bird e Marco Sorensen duelaram durante toda a prova, mas o dinamarquês parecia que ia vencer de ponta a ponta. No entanto, um pneu furado faltando apenas duas voltas para o final acabou com as chances do piloto da Lotus. Melhor para o britânico, que fez a alegria da torcida ao superar António Félix da Costa e Bianchi.
O tom dramático voltou a aparecer na Hungria, mas não na primeira corrida. Na prova do sábado em Hungaroring, Frijns venceu de ponta a ponta, com Magnussen e Bianchi também subindo ao pódio. Foi somente no domingo que os torcedores voltaram a assistir a um fim de corrida inesquecível. O holandês da Fortec novamente largou na pole-position, mas acabou ultrapassado por Kevin Magnussen e por António Félix da Costa. Na briga pela liderança, o piloto português não era capaz de acompanhar o ritmo do rival. Porém, novamente a sorte entrou em jogo. O piloto da Carlin teve uma quebra no motor na última volta, entregando a vitória ao luso. Esse triunfo deu início à Felixmania, que dominaria as etapas finais do campeonato. Sorensen e Will Stevens também subiram ao pódio.
Montar na tampa do motor, onde está pintado o touro da Red Bull, recebeu o nome de “fazer um Félix da Costa” por ser a comemoração inventada pelo piloto luso. Vettel repetiu em Interlagos
A penúltima etapa da temporada 2012 da World Series aconteceu em Paul Ricard, com Frijns, Bianchi e Bird na luta pelo título. No entanto, quem começou na frente foi Nick Yelloly, ao cravar a pole-position em um treino com chuva. O britânico, entretanto, não fez uma boa largada, permitindo que Frijns e Bianchi assumissem a ponta. A partir daí, passou a brilhar a estrela de André Negrão. O brasileiro superou os adversários e parecis seguir rumo a primeira vitória da carreira.
Bianchi, porém, não desistiu e conseguiu retomar a ponta pouco antes do piloto da Draco abandonar. O francês, porém, só não contava com António Félix da Costa. O luso conseguiu fazer uma boa prova de recuperação, ultrapassando todo mundo e vencendo com uma vantagem de apenas 1s9 para Yelloly, que voltou a brilhar com pista molhada. Daniil Move foi o terceiro. Na corrida 2, Bianchi e FDC voltaram a duelar pela vitória, com o francês conseguindo a primeira colocação e, de quebra, assumindo a liderança do campeonato.
Com a promessa de um final de ano eletrizante, Barcelona recebeu a última etapa da temporada. E, é claro, a disputa não decepcionou. A primeira corrida foi vencida facilmente por Félix da Costa, que conseguiu segurar a pressão de Sam Bird. No entanto, o lance decisivo aconteceu no duelo pela quarta colocação, quando Jules Bianchi rodou após tocar em Kevin Magnussen. Com isso, o francês terminou apenas em sétimo, permitindo que Frijns – o terceiro colocado na pista – assumisse a liderança do campeonato faltando apenas uma corrida.
Ou seja, se os dois pilotos abandonassem a corrida final, o holandês seria campeão. E não foi isso que quase aconteceu? Na prova decisiva, Frijns não teve um bom rendimento e era incapaz de manter as posições na luta pelo pódio. Com isso, a maior preocupação do piloto passou a ser se defender de Bianchi. No entanto, na volta 21, o francês conseguiu a ultrapassagem, na primeira curva, assumindo o quarto posto.
Três curvas mais tarde, foi a vez de Kevin Magnussen tentar superar Frijns. Caso o dinamarquês conseguisse, significaria Bianchi campeão. O problema é que o holandês se assustou e aproveitou o momento para tentar retomar a posição em cima do francês, com os dois carros se tocando, causando o abandono do adversário. Com Jules incapaz de continuar na corrida, Frijns se tornou o campeão de 2012 após um polêmico movimento.
A vitória, claro, ficou com António Félix da Costa, que terminou quase 30s na frente de Aleshin. Aaro Vainio completou o pódio. Frijns foi considerado culpado pelo acidente, tomando um drive-through como punição, o que o deixou na 14ª colocação na classificação final. Ainda assim, o piloto novato pôde comemorar o terceiro título consecutivo nas categorias de base do automobilismo.
Após a prova, Bianchi afirmou que Frijns bateu de propósito e disse que não pretendia procurar o adversário para conversar, mostrando claramente que não haveria mais qualquer tipo de amizade entre os dois. O francês, por fim, disse que planeja competir na F1 em 2013, ao menos como reserva.
Frijns também assegurou uma vaga de reserva na F1, pela Sauber, embora o piloto não deva participar de treinos livres no próximo ano. Terceiro colocado na tabela, Sam Bird ainda não anunciou os planos. Melhor piloto do ano, António Félix da Costa, por sua vez, espera competir em todas as etapas da WS no próximo campeonato, onde vai poder enfim lutar pelo título.
Entre os brasileiros, o único confirmado até o momento para 2013 é Yann Cunha, que trocou a Pons pela novata AV. Outro que deve estar garantido é André Negrão, já que o pai, Guto, é dono da equipe Draco. Lucas Foresti e Pietro Fantin também negociam para aparecer na categoria.
Dito e feito. Nesta sexta-feira, dia 21, veio a confirmação, e o piloto belga correrá pela equipe inglesa no próximo ano.
A escolha, na verdade, era um pouco óbvia. Por mais estruturada que a Dams seja na GP2, onde é a atual bicampeã, na World Series a equipe vem de uma temporada de estreia sem resultados muito expressivos. Assim, uma vez que Vandoorne estava negociando apenas com os dois times, talvez fosse só formalidade fechar com a escuderia britânica.
O problema dessa escolha é que ela aumentou vertiginosamente a pressão em cima do piloto belga para o próximo ano. Aos 20 anos, teoricamente o garoto não tinha nenhuma obrigação de ser campeão, afinal ele é um novato. É claro que ele pode surpreender, mas basta pegar os últimos vencedores da GP2 – todos com pelo menos quatro anos no certame – para ver como a experiência é importante nessas horas.
No entanto, a partir do momento que ele optou correr pela Fortec, não importa o que ele faça, ele será comparado a Robin Frijns.
E essa não vai ser uma situação fácil. Basta ver que o holandês, que também chegou à WSbR pela Fortec após conquistar a F-Renault Eurocup no ano anterior, cravou a volta mais rápida da prova logo na estreia, em Aragón, venceu a segunda corrida da qual participou e terminou o ano como campeão.
Por qualquer outra equipe, se apenas se aproximasse das marcas do antecessor, Vandoorne seria extremamente elogiado. Na Fortec, não. Por isso, talvez seja questão de tempo para começarmos a ouvir que o belga pode não ser tão bom quanto pensávamos.
Por fim, há ainda um complicador nisso tudo. Frijns não precisou enfrentar António Félix da Costa desde a primeira etapa de 2012. E agora o piloto português já vai ter uma temporada de experiência na categoria.
A Dams já está completa para 2013 com Kevin Magnussen e Norman Nato
Kevin Magnussen será piloto da Dams na temporada 2013 da World Series by Renault. Não sou eu que estou dizendo isso. Na verdade, é a própria equipe francesa que está falando, no segredo mais mal guardado das últimas décadas.
A Dams, aliás, já é conhecida por entregar as contratações antes da hora. Ano passado, por exemplo, quando fechou com Felipe Nasr, os dois já se seguiam no Twitter antes da oficialização do vínculo. Claro que isso não significava nada, mas era uma pista que alguém poderia seguir para descobrir o futuro.
Dessa vez, a lambança foi completa. Na sexta-feira, dia 30, a equipe anunciou o francês Norman Nato como um dos pilotos a competir na WS no ano que vem. No entanto, ao invés de uma, duas notícias foram publicadas: a do acordo com o gaulês, além do anúncio da contratação de Magnussen.
O problema é que essas notícias são datadas. Enquanto a de Nato marcava o dia 30 de novembro, a de Magnussen vinha como publicada no dia 4 de dezembro. Ou seja, o estagiário responsável acabou colocando a notícia do dinamarquês no ar ao invés de programar para o dia 4, data do provável anúncio oficial.
Assim, a mensagem da contratação do nórdico ficou online durante algum tempo até que a própria Dams percebesse o erro e a despublicasse. Desde então, a equipe ficou quieta e não admitiu a contratação de Magnussen. Ou seja, só vamos saber a verdade nesta terça-feira.
Dito isso, vamos ao que interessa. O mais importante dessa notícia, caso se confirme, não é a contratação do dinamarquês em si, mas o fato de a Dams ter as duas vagas preenchidas para o próximo ano. Dessa forma, a ida de Stoffel Vandoorne para a Fortec está praticamente confirmada.
O belga, que foi campeão da F-Renault Eurocup em 2012, nunca escondeu que estava negociando principalmente com Dams e Fortec para o próximo campeonato. Uma vez que as vagas na escuderia francesas já estão cheias, logo sobra o time inglês. É o mesmo caminho feito por Robin Frijns. O holandês foi campeão da F-Renault em 2011 e ganhador da WS, pela Fortec, neste ano.
Quanto a Magnussen, o piloto mais uma vez brilhou nos treinos da pós-temporada, assim como já havia acontecido no ano passado. Por isso, ele pode ser considerado um dos favoritos ao título de 2013, mas com a ressalva de que o bom desempenho nos treinos coletivos não é garantia de sucesso.
Por fim, um dado curioso. Magnussen jamais foi campeão correndo fora da Dinamarca. Tirando o título da pequenina F-Ford Dinamarquesa, de 2008, o piloto colecionou boas campanhas por onde passou, mas sempre acabou derrotado por pilotos acima da média. Foi assim contra António Félix da Costa, Tom Dillmann, Felipe Nasr e o próprio Robin Frijns.
Veja a lambança da Dams no print abaixo (não é meu):
O que falar sobre Robin Frijns? Aos 21 anos, o holandês já conquistou tudo o que podia nas categorias de base. Foi campeão da F-BMW Europeia, em 2010, conquistou a F-Renault na temporada passada e agora se sagrou campeão da World Series by Renault.
Se antes era um desconhecido, agora o neerlandês já é nome certo na lista de qualquer equipe. Afinal, Frijns literalmente correu contra tudo e contra todos nos últimos anos e ganhou. Ano passado eu até escrevi um texto sobre ele aqui no World of Motorsport – basta clicar aqui para relembrar– e relendo-o agora até fico espantado com a precocidade que o garoto atingiu.
Dito isso, agora só resta uma dúvida: o que falta para o holandês? Na verdade, o piloto já deu a resposta neste fim de semana. Antes mesmo de ir à pista para conquistar o título da World Series, Robin afirmou que está negociando com algumas equipes da F1 – especialmente a Sauber – para o próximo ano, mas como não tem dinheiro precisa que algum time resolva apostar no talento.
Para isso, a primeira chance de impressionar acontece no mês de novembro, em Abu Dhabi, quando participará do treino dos novatos. Lá na Marina de Yas, Frijns tem todas as chances do mundo de garantir um lugar cativo no coração das equipes. Em primeiro lugar, ele vai treinar pela própria Sauber, onde terá uma espécie de confronto direto com Esteban Gutiérrez.
Embora ainda não tenha havido anúncio oficial, o mexicano deve estar garantido na equipe suíça em 2013 justamente pelo patrocínio da Telmex. Assim, se Frijns conseguir um rendimento melhor – e um entrosamento bom com os integrantes do time – ele pode arrumar uma vaga para o próximo ano. Seja de reserva na escuderia suíça – que também deverá ter Nico Hülkenberg –, seja de titular em outro time.
Mesmo com tanto sucesso, a falta de patrocinadores no carro de Frijns é notável (o F é de Frijns, da família dele)
Mas essa não é a maior chance de o piloto impressionar. Ele também vai testar o carro da Red Bull, já que a equipe austríaca oferece como prêmio ao campeão da World Series by Renault a participação no treino dos novatos. Como a Ferrari não estará na atividade por já ter andado em Magny-Cours, na pior das hipóteses, Frijns só terá como adversários os pilotos da McLaren.
É claro que essa previsão é um pouco otimista demais. Afinal, o garoto acabou de vencer a World Series e nada garante uma boa adaptação na F1. No entanto, estamos falando de um piloto que conquistou três títulos consecutivos em campeonatos de grande escalão, sendo duas vezes como novato. Ou seja, se acostumar com o equipamento não parece ser problema para ele.
De qualquer forma, independentemente do resultado que consiga em Abu Dhabi, dificilmente o holandês estará a pé em 2013. A hipótese mais provável é que ele tenha um bom rendimento nos treinos e arrume uma vaga de reserva – com participação às sextas-feiras – ou até mesmo de titular em um time menor da F1.
Com isso, não deverá ser tão difícil conseguir alguns patrocinadores holandeses, já que o último representante do país na F1 foi Christijan Albers e por lá há interesse no esporte a motor.
Mas se tudo isso der errado, alguém, em alguma categoria, provavelmente estará disposto a dar uma chance ao jovem holandês. Afinal, quem seria louco de abrir mão de um dos jovens pilotos mais badalados dos últimos tempos?
Antonio Félix da Costa foi anunciado como novo piloto do Red Bull Junior Team
Um boato vinha tomando conta das terras rubro-taurinas essa semana : o escocês Lewis Williamson, próximo na linha de sucessão dos energéticos, estaria a ponto de ser substituído pelo luso Antonio Félix da Costa.
Nesta quinta-feira, dia 28, o rumor finalmente se confirmou. A Red Bull anunciou a saída imediata de Williamson do Junior Team, para a chegada do português, que agora se torna a principal esperança dos austríacos para a F1.
Vale lembrar que esse é um posto estratégico na Red Bull. Com Mark Webber e Sebastian Vettel constantemente especulados em outras equipes, não será surpresa se a escuderia resolver promover Daniel Ricciardo ou Jean-Éric Vergne (que ainda pouco mostraram em 2012) para o time principal. Dessa forma, abre uma vaga na Toro Rosso.
Como a Red Bull tem a política de aproveitar os talentos da casa na equipe italiana, o escolhido para esse hipotética vaga seria um garoto vindo da World Series by Renault. Antes, era Lewis Williamson, agora, Félix da Costa.
Além disso, é também necessário recordar que Williamson foi contratado no final do ano passado em uma espécie de emergência. Na ocasião, com Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne praticamente garantidos na F1 e Carlos Sainz Jr. e Daniil Kyvat ainda correndo de F-Renault, havia uma lacuna muito grande na hierarquia da empresa. Para compensar esse buraco, Helmut Marko ficou encantado com Williamson, que disputou a GP3 em 2011, e resolveu apostar no garoto.
Essa lua de mel com o escocês durou apenas três etapas da World Series. Lewis não só foi superado com extremamente facilidade pelo companheiro de equipe, Alexander Rossi, como também não conseguiu pontuar nas corridas. O piloto ocupa a última colocação na tabela de pontos, atrás mesmo de Yann Cunha, Zoel Amberg, Anton Nebylitskiy e Vittorio Ghirelli.
Com um vexame tão grande, a Red Bull começou a entrar em desespero. Afinal, é esse o cara que deve assumir a titularidade na Toro Rosso em breve? Para ajeitar as coisas, Williamson foi demitido sem qualquer piedade e Antonio Félix da Costa entrou no lugar.
A Red Bull não teve paciência com Lewis Williamson é já o chutou
Acho os argumentos da Red Bull para a demissão do piloto bastante coerentes e faz parte da linha que a equipe já vinha seguindo, com as dispensas recentes de Jaime Alguersuari e Sébastien Buemi, além de outros nomes como Brendon Hartley, Daniel Juncadella, Jean-Karl Vernay e Edoardo Mortara.
Só que o problema não é esse, evidentemente. O erro está na hora de contratar. Quem acompanha as categorias de base sabe que Williamson nunca foi um piloto brilhante. Ele começou tarde no automobilismo e disputou duas temporadas da F-Renault Inglesa, antes de terminar com o vice-campeonato, em 2010. No ano seguinte, correu na GP3, onde conquistou uma vitória e foi o oitavo no final.
É verdade que ele não tem um currículo ruim, assim como também é verdade que impressionou na GP3, mas nada demais até aí . Só que por algum motivo a Red Bull resolveu apostar nele. Aí não tinha como dar certo. Forçar uma carreira meteórica a um piloto apenas bom nunca foi uma grande solução.
Como resultado, Williamson agora sofre um baque na carreira ao ser dispensado pela Red Bull após cinco corridas apenas. Será que ele é um piloto tão ruim assim ou foi a RBR que contratou um gato, mas esperando um leão?
Aliás, falando na família dos felinos, a Red Bull lembra um pouco o time de futebol do São Paulo. No início do ano, a equipe paulista trouxe um jogador chamado Paulo Miranda, que havia se destacado no Bahia, no último campeonato brasileiro. O problema é que se tratava de apenas um bom jogador, mas muito longe de ser aquele que resolveria os graves problemas da zaga são-paulina.
Como resultado, Paulo Miranda foi afastado pela direção do clube por ter falhado em um jogo. Algo que qualquer um que o viu jogar no Bahia esperava que fosse acontecer. É culpa do jogador? Claro que não, todo esportista comete um erro em algum momento da carreira. Obviamente, o culpado é quem contrata.
No final, o tal do Paulo Miranda voltou a jogar porque os seus substitutos eram muito, muito piores que ele. Infelizmente, para Williamson, o mesmo não deve acontecer. O escocês deve ficar de fora permanentemente, já que Félix da Costa é realmente um piloto mais qualificado.
O luso, natural de Cascais, não foi escolhido por acaso. Seu principal triunfo no currículo foi ter sido campeão da F-Renault Norte-Europeia, em 2009, e ter sido o destaque da F-Renault Eurocup no mesmo ano. Ele correu contra um tal de Jean-Éric Vergne, (conhece?), e deixouo francês constantemente para trás. Apesar disso, o futuro do português na Red Bull se resume a uma questão: ele era a principal opção da equipe para substituir Williamson ou era apenas o melhor nome disponível?
Cesar Ramos vai substituir Richie Stanaway na World Series by Renault e precisará mostrar bons resultados
Cesar Ramos recebeu uma rara segunda chance na carreira. Depois de ficar a pé no início de 2012, por falta de patrocínio, o brasileiro acertou com a Lotus para substituir Richie Stanaway na World Series by Renault.
Nesse momento, alguém pode dizer que o gaúcho não tem nada a perder, afinal, como ele não tinha nenhum plano de correr na WS, em 2012, o que conquistar na categoria a partir de agora será lucro.
Não concordo com esse tipo de raciocínio. Pensar assim não deixa de ser uma forma de desperdiçar a oportunidade recebida. A verdade é que Ramos entra mais pressionado que nunca para conseguir bons resultados. Para que essa nova chance o deixe próximo de uma categoria maior, ele realmente precisa corresponder na pista, brigando tanto por pole-position quanto por vitórias.
E Cesar tem equipamento para isso. O carro da Lotus já se mostrou um foguete, com Stanaway terminando nas primeiras posições durante boa parte da pré-temporada, enquanto Marco Sorensen, o outro piloto da equipe, venceu a primeira corrida da última etapa, em Spa-Francorchamps.
Além disso, na comparação direta, não dá para dizer que o brasileiro é pior piloto que Stanaway. Ambos tiveram carreiras parecidas antes de chegar à World Series by Renault. É verdade que o neozelandês ficou famoso ao conquistar resultados meteóricos, mas também é fato que ele disputou campeonatos mais fáceis.
Depois de sair da Nova Zelândia, Stanaway foi campeão da ADAC Masters, em 2010, e da F3 Alemã, no ano passado. No primeiro torneio, venceu 12 das 18 etapas que disputou (e terminou em segundo em outras cinco oportunidades). Os números, obviamente, foram excelentes, mas o restante do grid era de uma qualidade questionável, com Patrick Schranner, Mario Farnbacher e William Vermont terminando em seguida. Na F3, foram 13 vitórias em 18 corridas, mas correndo contra Sorensen, Klaus Bachler e Alon Day.
Ramos, por sua vez, disputou a F-Renault em 2008, tanto o campeonato italiano quanto o europeu. Foi sexto no primeiro e sétimo no segundo, mas enfrentou gente como Valtteri Bottas, Daniel Ricciardo, Roberto Merhi e Jean-Éric Vergne. Dois anos depois, em 2010, o brasileiro foi campeão da única vez na história que a F3 Italiana teve um grid decente, ao deixar Stéphane Richelmi, Andrea Caldarelli, Jesse Krohn, Gabby Chaves, Cristopher Zanella e Alex Fontana para trás.
No entanto, a partir de agora, Cesar não vai ser avaliado pelo que fizer em relação a Stanaway, mas, sim, contra o restante do grid da World Series. Até porque o neozelandês tinha disputado somente cinco corridas e somado apenas oito pontos (um sexto lugar) antes de sofrer o forte acidente em Spa. O brasileiro, por sua vez, terá ao menos o dobro de oportunidades – cinco rodadas duplas – para mostrar resultado.
Nesse momento, o mínimo que se espera de Ramos é que ele mostre uma evolução com relação à temporada passada. Em 2011, correndo pela Fortec, o brasileiro obteve duas pole-position e terminou duas vezes na quarta colocação como melhor resultado. Sendo assim, a partir de agora, ele pelo menos deve mostrar uma maior consistência tanto na posição de largada quanto na briga pelo pódio.
Do contrário, o piloto talvez seja obrigado a assistir ao próximo campeonato pela televisão. Enquanto isso, dos demais integrantes da geração de 2011, dois já estão na F1 (Jean-Éric Vergne e Daniel Ricciardo) e um chegou ao DTM (Robert Wickens). Portanto, inspiração não falta.
Paulista, estudante de jornalismo na Universidade de Brasília. Entusiasmado por qualquer coisa que tenha quatro rodas, um motor e possa fazer ultrapassagens.
Criou o World of Motorsport para poder contar a alguém tudo que acontece no mundo dos esportes a motor, desde as quatro curvas de Bristol até os 13,6km de Le Sarthe.