Arquivo de junho 2012

A corrida que ninguém venceu

junho 30, 2012
Daniel Juncadella

Embora Daniel Juncadella tenha terminado a primeira corrida em Norisring na frente, a prova não teve vencedor

A F3 está vivendo um final de semana histórico em Norisring. Como uma das medidas tomadas por Gerhard Berger para fortalecer a categoria, a F3 Inglesa, a F3 Europeia e a F3 Euro Series dividem o circuito de rua alemão para uma etapa conjunta, que vale ponto para todos os campeonatos.

Etapas conjuntas não é uma novidade na F3. Esse ano já tivemos uma em Pau, por exemplo, mas essa é a primeira vez que vale pontos para todos os campeonatos envolvidos.

No entanto, a etapa também está sendo um tormento para os organizadores. Para começar, na sexta-feira, o treino classificatório precisou ser adiado porque o asfalto da cidade de Nuremberg – onde o circuito de Norisring está localizado – começou a se desfazer. A F3 não é o único evento do final de semana, com o DTM, a Porsche Cup Alemã e a Scirocco Cup também correndo. Com tantos carros na pista, o asfalto não aguentou e acabou cedendo durante um treino da Scirocco, prejudicando não só a F3 como também a Porsche.

Mas nada se compara ao que aconteceu neste sábado. A primeira corrida da F3 não teve vencedor. Isso mesmo, ninguém ganhou. Só que Pietro Fantin, que terminou na quarta colocação, pôde comemorar a vitória! Pode isso, Arnaldo?

Com a punição ao espanhol, apenas Pietro Fantin (o quarto colocado) pôde comemorar a vitória em Norisring

Na verdade, a confusão começou quando Daniel Juncadella recebeu a bandeirada na primeira corrida do final de semana. Entretanto, assim que o espanhol cruzou a linha de chegada, a direção de prova anunciou que o resultado estava sob investigação, pois o piloto da Prema havia se envolvido em acidentes com o rival Raffaele Marciello e com Pascal Wehrlein.

A primeira batida aconteceu quando o italiano, que havia largado mal na pole-position, tentou ultrapassar o companheiro de equipe na briga pela segunda colocação. Os dois se tocaram na saída do S, e Marciello acabou batendo no muro na curva seguinte. Depois, no duelo pela liderança, Juncadella forçou a ultrapassagem em cima da Wehrlein e novamente os dois bateram. Enquanto o espanhol seguiu rumo à bandeira quadriculada, o alemão começou a perder posições com o carro danificado e foi somente o sétimo colocado.

Após analisar o que havia acontecido, a direção de prova puniu Juncadella, cassando a vitória. Ou seja, William Buller, que terminou em segundo, foi o novo ganhador, certo? Errado! Os comissários da F3 decidiram deixar o posto de vitorioso vago, ou seja, Buller ganhou os pontos pelo segundo lugar e assim sucessivamente. Até mesmo na segunda corrida, com a regra do grid invertido, a posição original de Juncadella não teve um substituto, deixando um espaço em aberto no meio da fila.

Mas lembra que essa foi uma etapa conjunta entre a F3 Inglesa, a F3 Euro e a F3 Europeia? Então, Juncadella compete apenas nos certames europeus. Como ele não pontua no torneio britânico, para os ingleses a corrida realmente teve um vencedor: o brasileiro Pietro Fantin. O paranaense terminou atrás do espanhol, de Buller e de Emil Berstorff, o terceiro colocado. Só que esses são pilotos dos campeonatos europeus.

Assim, para todos os efeitos, o vencedor da etapa de Norisring da F3 Inglesa foi Pietro Fantin. O único piloto a ganhar a primeira corrida na Alemanha, mesmo terminando na quarta colocação.

A são-paulinização do Red Bull Junior Team

junho 28, 2012

Antonio Félix da Costa foi anunciado como novo piloto do Red Bull Junior Team

Um boato vinha tomando conta das terras rubro-taurinas essa semana : o escocês Lewis Williamson, próximo na linha de sucessão dos energéticos, estaria a ponto de ser substituído pelo luso Antonio Félix da Costa.

Nesta quinta-feira, dia 28, o rumor finalmente se confirmou. A Red Bull anunciou a saída imediata de Williamson do Junior Team, para a chegada do português, que agora se torna a principal esperança dos austríacos para a F1.

Vale lembrar que esse é um posto estratégico na Red Bull. Com Mark Webber e Sebastian Vettel constantemente especulados em outras equipes, não será surpresa se a escuderia resolver promover Daniel Ricciardo ou Jean-Éric Vergne (que ainda pouco mostraram em 2012) para o time principal. Dessa forma, abre uma vaga na Toro Rosso.

Como a Red Bull tem a política de aproveitar os talentos da casa na equipe italiana, o escolhido para esse hipotética vaga seria um garoto vindo da World Series by Renault. Antes, era Lewis Williamson, agora, Félix da Costa.

Além disso, é também necessário recordar que Williamson foi contratado no final do ano passado em uma espécie de emergência. Na ocasião, com Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne praticamente garantidos na F1 e Carlos Sainz Jr. e Daniil Kyvat ainda correndo de F-Renault, havia uma lacuna muito grande na hierarquia da empresa. Para compensar esse buraco, Helmut Marko ficou encantado com Williamson, que disputou a GP3 em 2011, e resolveu apostar no garoto.

Essa lua de mel com o escocês durou apenas três etapas da World Series. Lewis não só foi superado com extremamente facilidade pelo companheiro de equipe, Alexander Rossi, como também não conseguiu pontuar nas corridas. O piloto ocupa a última colocação na tabela de pontos, atrás mesmo de Yann Cunha, Zoel Amberg, Anton Nebylitskiy e Vittorio Ghirelli.

Com um vexame tão grande, a Red Bull começou a entrar em desespero. Afinal, é esse o cara que deve assumir a titularidade na Toro Rosso em breve? Para ajeitar as coisas, Williamson foi demitido sem qualquer piedade e Antonio Félix da Costa entrou no lugar.

Lewis Williamson

A Red Bull não teve paciência com Lewis Williamson é já o chutou

Acho os argumentos da Red Bull para a demissão do piloto bastante coerentes e faz parte da linha que a equipe já vinha seguindo, com as dispensas recentes de Jaime Alguersuari e Sébastien Buemi, além de outros nomes como Brendon Hartley, Daniel Juncadella, Jean-Karl Vernay e Edoardo Mortara.

Só que o problema não é esse, evidentemente. O erro está na hora de contratar. Quem acompanha as categorias de base sabe que Williamson nunca foi um piloto brilhante. Ele começou tarde no automobilismo e disputou duas temporadas da F-Renault Inglesa, antes de terminar com o vice-campeonato, em 2010. No ano seguinte, correu na GP3, onde conquistou uma vitória e foi o oitavo no final.

É verdade que ele não tem um currículo ruim, assim como também é verdade que impressionou na GP3, mas nada demais até aí . Só que por algum motivo a Red Bull resolveu apostar nele. Aí não tinha como dar certo. Forçar uma carreira meteórica a um piloto apenas bom nunca foi uma grande solução.

Como resultado, Williamson agora sofre um baque na carreira ao ser dispensado pela Red Bull após cinco corridas apenas. Será que ele é um piloto tão ruim assim ou foi a RBR que contratou um gato, mas esperando um leão?

Aliás, falando na família dos felinos, a Red Bull lembra um pouco o time de futebol do São Paulo. No início do ano, a equipe paulista trouxe um jogador chamado Paulo Miranda, que havia se destacado no Bahia, no último campeonato brasileiro. O problema é que se tratava de apenas um bom jogador, mas muito longe de ser aquele que resolveria os graves problemas da zaga são-paulina.

Como resultado, Paulo Miranda foi afastado pela direção do clube por ter falhado em um jogo. Algo que qualquer um que o viu jogar no Bahia esperava que fosse acontecer. É culpa do jogador? Claro que não, todo esportista comete um erro em algum momento da carreira. Obviamente, o culpado é quem contrata.

No final, o tal do Paulo Miranda voltou a jogar porque os seus substitutos eram muito, muito piores que ele. Infelizmente, para Williamson, o mesmo não deve acontecer. O escocês deve ficar de fora permanentemente, já que Félix da Costa é realmente um piloto mais qualificado.

O luso, natural de Cascais, não foi escolhido por acaso. Seu principal triunfo no currículo foi ter sido campeão da F-Renault Norte-Europeia, em 2009, e ter sido o destaque da F-Renault Eurocup no mesmo ano. Ele correu contra um tal de Jean-Éric Vergne, (conhece?), e  deixouo francês constantemente para trás. Apesar disso, o futuro do português na Red Bull se resume a uma questão: ele era a principal opção da equipe para substituir Williamson ou era apenas o melhor nome disponível?

Nyck De Vries é bom mesmo?

junho 27, 2012

Nyck De Vries vem chamando a atenção conforme vai ficando mais próximo da primeira vitória da carreira

Enquanto a F-Renault Eurocup se prepara para disputar a etapa deste final de semana, em Nurburgring, uma de suas principais estrelas vem chamando a atenção. Nyck De Vries competiu justamente no circuito alemão, no último sábado, onde terminou a etapa da F-Renault NEC na segunda colocação, apenas 0s1 atrás do vencedor, Stoffel Vandoorne.

Assim, o piloto júnior da McLaren esteve muito próximo de conquistar a primeira vitória da carreira nos monopostos. Expectativa, essa, que continua nesse final de semana, com a etapa da Eurocup.

Após a prova, vi algumas discussões cujo objetivo era responder a pergunta do título deste post. Será que De Vries é bom mesmo e conseguirá fazer tudo aquilo que esperamos?

Na ampla maioria das vezes, a resposta foi um consenso de que ainda é cedo julgar o holandês. Afinal, ele tem apenas 17 anos (embora aparente muito menos, no máximo uns 13) e está fazendo somente a primeira temporada completa fora do kart.

Por causa disso, é natural que os resultados sejam altos e baixos. De Vries já terminou no pódio em Nurburgring (NEC) e em Aragón (Eurocup). Foi o autor da volta mais rápida em uma das corridas de Hockenheimring, mas terminou em 32º e 22º. Já em Spa, debaixo de muita chuva, alguém talvez só tenha percebido que o garoto estivesse correndo devido ao carro azul brilhante, fora isso ele foi nulo na corrida.

De Vries é ainda, digamos, um pouco menor que os principais adversários

Será que com tão poucos resultados, já é possível determinar se De Vries é bom? Obviamente, não. Mas isso não significa que não podemos avaliá-lo, apenas porque ele é muito jovem e inexperiente. Até porque não somos nós que estamos julgando o piloto, é a McLaren.

Quando a equipe inglesa decidiu assinar contrato com o piloto de uma forma similar ao que Lewis Hamilton teve, foram eles que não só avaliaram De Vries como também definiriam que nenhum outro kartista de sua geração teria condições de repetir o sucesso do atual companheiro de Jenson Button.

Oras, se a McLaren pode por que fãs, imprensas e curiosos no geral não? Até porque, avaliar o desempenho de Nyck De Vries nas pistas é uma forma de conhecer e entender o trabalho feito pelos olheiros da equipe inglesa. Isto é, se o garoto assinou um contrato parecido com o de Hamilton, alguma coisa deve fazê-lo especial.

Porém, também é óbvio que em se tratando de um jovem piloto nenhuma avaliação é definitiva. Assim como é comum ver campeões de certames menores (como a própria F-Renault ou a F-BMW) jamais chegarem à F1, também é normal presenciar algum garoto que jamais teve sucesso na carreira estourar da noite para o dia ao estrear em uma nova categoria.

Parece bastante cruel avaliarmos o desempenho de um garoto de 17 anos após nove corridas. E é. Mas no automobilismo – e praticamente em qualquer outro esporte – as coisas acontecem assim. As equipes estão cada vez empenhadas em descobrir um jovem talento, ainda adolescente, que possa lapidar e transformá-lo em um campeão mundial. Consequentemente, em algum momento, esse trabalho deixa as grandes equipes e se torna assunto entre os fãs do esporte motor.

É claro que é complicado falar sobre um garoto de 17 anos, mas se já há impaciência entre os próprios torcedores para chegar à alguma conclusão sobre De Vries, imagina dentro da McLaren ou entre os patrocinadores?

Como Matt Kenseth criou um mercado de pilotos na Nascar 2013

junho 26, 2012

Matt Kenseth deixou claro que não é mais piloto da Roush. Assim, onde ele vai correr em 2013?

Para quem gosta de acompanhar contratações, boatos, imaginar futuros planteis e negociatas milionárias em busca de um reforço, a Nascar não é um bom lugar. Apesar das altas cifras presentes, a categoria americana é conhecida por ser bastante conservadora em termos de mudanças de equipe.

Para você ter uma ideia, dos 15 primeiros do campeonato de 2012, apenas Dale Earnhardt Jr, Tony Stewart, Clint Bowyer, Martin Truex Jr, Brad Keselowski, Kyle Busch e Ryan Newman já mudaram de equipe. Curiosamente, todos só mudaram uma única vez e estamos falando em mais de dez anos de história.

Mas nesta terça-feira, dia 26, um novo nome se juntou a esse grupo: Matt Kenseth anunciou que não vai retornar à Roush-Fenway na próxima temporada. É tão incomum esse tipo de transferência, que a decisão do piloto já está sendo comparada à saída de Ray Evernham da Hendrick, no auge da carreira de Jeff Gordon. Na época, Evernham era uma espécie de Chad Knaus do carro número 24, mas recebeu uma proposta da Dodge para iniciar a própria equipe na Nascar.

Kenseth, por outro lado, deixa a Roush, mas sem anunciar para onde vai. No momento, todas as especulações indicam que ele vai para a equipe de Joe Gibbs, onde pode assumir um quarto carro ou substituir Joey Logano no número 20. Levando em conta que o piloto está saindo da Roush-Fenway justamente pela falta de patrocínio – e lembrando que seu salário não é nada baixo – seria incoerente pensar que a Gibbs planeje adicionar um quarto carro sem a chegada de um investidor. Pode acontecer, mas o mais provável é que Logano deixe o time.

Apesar disso, praticamente todas as equipes da Sprint Cup – menos a Hendrick – têm espaço para o piloto. A Penske tem A.J. Allmendinger no último ano de contrato, na Stewart-Haas é Ryan Newman quem não tem vínculo para o próximo ano. A Earnhardt-Ganassi pode liberar Jamie McMurray, a Michael Waltrip não teria problemas em chutar Martin Truex Jr, enquanto a RCR pode optar por liberar Jeff Burton um ano antes para trazer o atual líder do campeonato. Com todos esses carros tendo patrocínios para o próximo ano, é questão apenas de Kenseth apontar o dedo e escolher um lugar.

Mas, no momento, tudo isso é especulação. Kenseth já afirmou que não vai falar de 2013 no momento, então ainda não saberemos da verdade. Apesar disso, não é impossível imaginar que o piloto já tenha assinado uma espécie de pré-contrato com outra equipe, levando um salário que a Roush-Fenway não poderia cobrir sem um novo investidor. E é aí que Gibbs sai na frente para recebê-lo.

Matt Kenseth pilotou o icônico carro de número 17 com o patrocínio da Dewalt por quase dez anos

Provavelmente, as negociações não começaram do dia para noite. Isto é, quando Logano venceu em Pocono, a Gibbs já devia estar conversando com Kenseth. Assim, pouco importou o resultado do jovem piloto, pois o time estava de olho em um substituto. Da mesma forma, a Penske negou, na segunda-feira, que estivesse negociando com Kenseth. Embora desmentir rumor verdadeiro seja uma prática bastante comum em qualquer esporte, a Penske deixou claro que não está conversando com o piloto ao dizer “podemos confirmar apenas que não estamos falando com Matt”.

A possível chegada de Kenseth à equipe de Joe Gibbs também mexe com o mercado de pilotos da Nationwide. Para começar, Ricky Stenhouse será o substituto na Sprint Cup, então possivelmente o atual campeão não continue também na categoria de acesso. Nesse momento, apesar de ainda não haver qualquer tipo de anúncio oficial, é provável que Trevor Bayne dispute a próxima temporada de forma integral, além de continuar correndo na Wood Brothers.

A outra vaga que pode sofrer alguma mudança é o carro de número 18. Eu não ficaria surpreso se Joe Gibbs decidisse rebaixar Logano para a Nationwide, fazê-lo conquistar um título, enquanto trabalhasse para inscrever um quarto carro para o piloto. Vale lembrar que a equipe tem alguns patrocinadores como a Dollar General, a Gamestop e Sports Clips, que poderiam ter uma participação maior na Sprint Cup.

Por fim, a decisão de Kenseth também afeta o mercado de pilotos dos supercampeões. Isto é, com ele disponível e próximo da Gibbs, é cada vez menos a chance de Kurt Busch retornar a uma equipe grande em 2013. Da lista de cima, obviamente ele não vai voltar para a Penske e é bastante improvável que assine com RCR, Stewart-Haas ou Michael Waltrip. Restaria a Earnhardt-Ganassi, mas eu duvido muito que esse tipo de negócio saia.

Angry Birds Heikki

junho 25, 2012

Angry Birds Heikki é tão ruim quanto o carro da Marussia

Uma das parcerias mais legais da temporada 2012 da F1 foi formada entre a Rovio – produtora do jogo Angry Birds – e os competidores finlandeses, em especial Heikki Kovalainen. O piloto da Caterham surpreendeu ao aparecer para disputar o GP da Austrália, com um capacete todo vermelho, imitando o passarinho do jogo.

A ação promocional não só servia para divulgar a parceria, mas para anunciar o lançamento de Angry Birds Heikki, uma versão do jogo tendo o ex-piloto de Renault e McLaren como temática.

Durante muito tempo, a empresa manteve em segredo  o que seria o jogo, enquanto se concentrava no desenvolvimento de Angry Birds Space, a versão mais nova da série. No entanto, esse mistério acabou nessa segunda-feira, dia 25, com Heikki finalmente lançado.

Só que para a tristeza dos fãs da F1, o game é péssimo. Para começar, o único jeito de jogar é acessando a página dele – clicando aqui. Ou seja, é um jogo para navegador, em que você precisa estar na frente do computador para usar. Isso vai contra um dos principais elementos da série, que era a possibilidade de brincar no celular.

Aliás, a série Angry Birds foi desenvolvida, em 2009, para iPhone/iPod e depois ganhou os demais smartphones, conforme a touchscreen foi se popularizando. Ironicamente, Angry Brids Heikki não pode ser jogado nesses dispositivos da Apple, pois é feito em flash.

Mas há uma explicação para o modelo escolhido pela Rovio. A empresa não podia fazer um aplicativo devido ao formato do game. Isto é, Angry Birds Heikki funciona da seguinte forma: são 12 fases, simbolizando as 12 etapas que faltam para terminar a temporada da F1. Na semana de cada corrida, o jogo libera a fase da respectiva corrida. Ou seja, por enquanto é possível jogar apenas em Silverstone.

A Alemanha, por exemplo, só estará disponível em 11 de julho. Quem quiser brincar em Interlagos terá que esperar até 21 de novembro (!!). Tá vendo porque não dava para ter um aplicativo de Angry Birds Heikki? Quem iria comprar um negócio para jogar apenas uma fase? E, sinceramente, quem vai esperar todo esse tempo? Daqui duas ou três fases/corridas ninguém mais vai se lembrar do jogo.

Quanto à jogabilidade em si, também é decepcionante. Angry Birds Heikki segue o modelo tradicional da série original, então não é nenhuma novidade para os players mais experientes. Além disso, elementos das versões Space e Season ficaram de fora. A única inovação é o capacete do Kovalainen. Se você se registrar na página do piloto no Facebook, na hora de jogar, é possível colocar o passarinho vermelho com o capacete.

Evidentemente, o bicho é um roubo só e destrói qualquer tipo de construção. Quem já jogou Angry Birds, sabe que um dos maiores desafios é usar o passarinho certo na parte certa da fase: apenas uma ave consegue passar pela madeira, outra pelo ferro e uma última pelo gelo. O capacete do Kova passa por tudo.

E isso deixa o jogo um pouco entediante. Afinal, não houve mais nenhuma criação aproveitando a temática das corridas. Não há um passarinho novo, um porco, um obstáculo na fase, nada. Tudo o que você pode fazer para lembrar a F1 é se registrar no Facebook do Kovalainen para poder usar um capacete apelão.

Por outro lado, os gráficos estão bonitos. Se você ignorar a bizarra digitalização do Kovalainen na tela de abertura, verá que a temática de F1 foi bem aproveitada na fase, com pneus, faróis e bandeira quadriculada. Ao fundo, o novo paddock de Silverstone aparece imponente, mostrando que a Rovio se preocupou em deixar as fases caracterizadas com os respectivos circuitos.

Portant,o minha avaliação final do jogo é: pior que corrida no Bahrein sem asa móvel, Kers e o drama de pneus Pirelli.

James Calado é o destaque da GP em 2012

junho 24, 2012

Davide Valsecchi e Luiz Razia têm melhores resultados, mas quem vem se destacando na GP2 2012 é James Calado

A longa temporada 2012 da GP2 finalmente chegou à metade. Seis rodadas já foram (Malásia, Bahrein 2x, Barcelona, Mônaco e Valência) e outras seis ainda estão por vir (Inglaterra, Alemanha, Hungria, Bélgica, Itália e Cingapura). Assim, com 50% do campeonato disputado, já é possível tirar algumas conclusões.

Em primeiro lugar, o título parece que vai ficar entre Davide Valsecchi e Luiz Razia, os pilotos mais experientes do certame, que juntos acumulam nove temporadas no campeonato. É verdade que o italiano era favorito desde os treinos coletivos, no início do ano, mas o brasileiro não deixa de ser uma surpresa na briga. Em qualquer lista de previsões da pré-temporada, Razia no máximo aparecia correndo por fora, enquanto Esteban Gutiérrez detinha o posto de forte candidato.

Só que o mexicano da Lotus não tem feito uma boa temporada, ocupando apenas a sexta colocação na tabela, e olha que ele ainda herdou a vitória em Valência, para dar um aumento na pontuação.

Mas se Gutiérrez não tem ido bem, a Lotus ainda tem motivos para comemorar. Nessa primeira metade do campeonato, é difícil pensar que alguma estrela brilhou mais que a de James Calado. O estreante ficou em evidência em Valência, ao ficar preso atrás do safety-car na primeira corrida e perder uma vitória certa, quando era cerca de 2s por volta mais rápido que os adversários.

Mas antes da etapa espanhola, o britânico já vinha se mostrando um piloto diferenciado. Nas 12 corridas até aqui, já subiu ao pódio em quatro oportunidades, incluindo a vitória na corrida curta de Sepang. Mesmo sendo menos experiente, não teve problema em deixar Gutiérrez para trás desde o início do campeonato e dessa forma ocupa a terceira colocação na tabela, com 95 pontos.

Nesse momento do ano, o inglês entra em um momento decisivo para deixar claro suas pretensões para o restante de 2012. Ele pode se espelhar em Jules Bianchi, por exemplo, que com a mesma Lotus (antes chamada de ART Grand Prix) terminou o campeonato de 2010 na mesma terceira colocação, mas sem conquistar vitórias e longe da briga pelo título com Pastor Maldonado e Sergio Pérez.

Ou então, Calado pode tomar Nico Hulkenberg como exemplo. Em 2009, o atual titular da Force India começou com resultados discretos, mas entrou na briga pelo título a partir da etapa da Alemanha, onde venceu as duas provas correndo em casa. Desde a corrida germânica, Hulk venceu cinco vezes, subiu ao pódio em oito oportunidades e garantiu a taça em um raro domínio de um novato na GP2

Calado, assim, tem todas as chances de colocar o plano em prática. Para começar, ele já tem uma vitória em 2012. Depois, a próxima etapa é em Silverstone, onde o piloto deve conhecer como a própria mão, já que fez carreira no automobilismo inglês. Se o garoto começar uma virada à Hulkenberg, talvez ainda dê tempo de pensar na taça no final do ano.

Para terminar, o britânico ainda pode se aproveitar do retrospecto de seus principais concorrentes. Valsecchi, por exemplo, é um piloto que costuma ir melhor na primeira metade da temporada. Em 2011, 100% dos pontos do italiano foram conquistados nas cinco etapas iniciais. No ano anterior, nas oito corridas entre a rodada da Alemanha e da Itália, ele só pontuou uma única vez. Além disso, o histórico de Razia não é tão diferente, mas no caso do brasileiro é difícil fazer uma comparação mais precisa, já que apenas em 2012 ele teve a chance de pontuar constantemente.

A vitória de Nelsinho Piquet e os estrangeiros na Nascar

junho 23, 2012
Nelsinho Piquet

Essa é a imagem que estava no site de mídia da Nascar

Provavelmente você já sabe que Nelsinho Piquet venceu a etapa de Road America, da Nationwide, disputada no sábado (23). O brasileiro, que disputava a primeira corrida na categoria em 2012, foi o piloto dominante durante toda a prova e precisou apenas deixar Michael McDowell para trás para ficar com a vitória.

O que talvez você não saiba é que Piquet é apenas o quarto não americano a vencer na categoria e o quinto a triunfar em alguma divisão da Nascar.

Antes de Nelsinho, Ron Fellows, Juan Pablo Montoya e Marcos Ambrose já haviam vencido na Nationwide, além do canadense Earl Ross, que triunfou na etapa de Martinsville, de 1974, do que hoje é a Sprint Cup.

O último do grupo dos não nascidos nos Estados Unidos a vencer na Nascar é Mario Andretti, que terminou na primeira posição na Daytona 500 de 1967. Só que o piloto já era naturalizado americano desde 1964. Por causa da dupla nacionalidade, Andretti não aparece em todas as estatísticas que dizem respeito a estrangeiros.

Voltando aos pilotos que ganharam na Nationwide, Ron Fellows e Marcos Ambrose são os de maior sucesso, com quatro vitórias cada um, todas em circuitos de rua. Além disso, cada um tem uma particularidade na carreira. Enquanto o canadense praticamente não disputou etapas em oval na Nascar – mas sendo figurinha carimbada nos circuitos mistos –, o australiano começou no turismo americano na Truck Series, antes de avançar até a Sprint Cup.

Só que a primeira vitória de Ambrose veio apenas em 2008, quando o australiano já disputava algumas corridas da Cup. Depois disso, todos os demais triunfos do aussie vieram quando ele já estava na divisão principal.

No caso de Montoya, o colombiano estreou na Nascar em 2006, mas só começou a participar de forma integral no ano seguinte. Para ganhar experiência, o ex-piloto de F1 também corria na Nationwide. Uma dessas etapas foi no México, onde terminou com a vitória após um duelo com Scott Pruett.

Sendo assim, Nelsinho é o primeiro piloto estrangeiro a vencer na Nationwide sem jamais ter disputado uma corrida da Sprint Cup antes.

Pela Red Bull, Koiranen deixa origens para trás

junho 22, 2012
Koiranen bros

A Koiranen surgiu para disputar campeonatos nórdicos de F-Renault e F3, mas nos últimos anos se tornou uma das principais equipes do mundo da modalidade

Esse final de semana está sendo um prato cheio para quem gosta da F-Renault. Embora a próxima etapa da Eurocup esteja marcada para a próxima semana, em Nurburgring, dessa vez tanto o campeonato Norte-Europeu (NEC) quanto o Alps (Suíça+Itália) foram à pista.

O primeiro está justamente em Nurburgring (puxa, que coincidência) para a disputa da segunda rodada da temporada 2012, enquanto o segundo viajou à Spa-Francorchamps para a quarta etapa.

Entre os brasileiros, apenas o certame Alps tem representantes. Nele correm Guilherme Silva (pela equipe Interwetten), Felipe Fraga (Tech 1) e Gabriel Casagrande (Mark Burdett), além de Gustavo Lima e você Victor Franzoni (Koiranen). Só que o paulista desfalca a equipe finlandesa nesta etapa devido a um grave acidente sofrido no início do mês também em Spa.

Só que a Koiranen não tem muito com o que se preocupar. Mesmo sem Franzoni, o time terá seus principais pilotos (Patrick Kujala, Esteban Ocon, Daniil Kyvat e Stefan Wackerbauer) na pista, além o saudita Saud Al Faisal, que entra no lugar do brasileiro durante essa etapa.

Apesar disso, o curioso dessa história toda não é apenas a substituição de Franzoni por um saudita, mas a preferência da Koiranen em disputar o campeonato Alps ao invés do Norte-Europeu.

Em primeiro lugar, competitivamente falando, não me parece uma escolha muito boa. Com duas rodadas em Nurburgring consecutivas da F-Renault (embora sejam de dois campeonatos diferentes) seria mais vantajoso para os jovens pilotos competirem na Alemanha nessa semana pela NEC, aprenderem a pista e retornarem ao campeonato europeu, no próximo sábado, já sabendo de cor o circuito.

Por isso, as equipes que foram competir no Norte-Europeu – como a Josef Kauffmann e a R-Ace (ART Grand Prix) – saem em vantagem na próxima semana.

Daniil Kyvat sabe que precisa continuar na frente para evitar reclamações da Red Bull

Mas o estranho dessa história toda é que a Koiranen é um time originalmente vindo do norte da Europa. A equipe foi criada pelos irmãos Koiranen para disputar os campeonatos nórdicos da F-Renault e de F3 nas últimas décadas, mas o time cresceu e acabou ganhando projeção europeia.

O grande boom da escuderia aconteceu em 2010, quando Kevin Korjus surpreendeu o mundo e conquistou o título da F-Renault Europeia, batendo os favoritos Arthur Pic, André Negrão e Aaro Vainio de maneira incontestável. Antes disso, a equipe tinha um currículo não muito extenso, com o principal destaque tendo sido revelar Valtteri Bottas, hoje na Williams.

Com o título de Korjus, a Red Bull se aproximou da Koiranen e passou a injetar seus euros no time finlandês. Assim, gente como Kyvat, Wackerbauer, além de Carlos Sainz Jr já pasaram pela escuderia. Em troca do dinheiro da empresa austríaca, parece que a equipe foi, digamos, convidada a deixar suas origens nórdicas para trás e focar em um campeonato cuja maior parte das etapas acontece na Itália, além de um round no próprio Red Bull Ring, na Áustria.

No final, essa coisa de origem das equipes não quer dizer muita coisa. É curioso saber como a Koiranen surgiu e tudo o que ela está sendo obrigada a passar para contar com a grana rubro-taurina. Mas, na pista, o que vale é o resultado. Enquanto o time seguir nas primeiras colocações, dificilmente ele voltará a competir na NEC.

Aí o drama fica para semana que vem. Se Kyvat & Cia mantiveram os bons resultados na Eurocup, ninguém vai lembrar que a equipe esteve em Spa nesta semana de preparação. Do contrário, caso as equipes da NEC se sobressaiam, talvez esteja na hora desse tipo de decisão ser reavaliada. Afinal, a Koiranen chegou como favorita à Alps, mas já está apanhando da RC. Se perder a ponta também na Eurocup, certamente a situação não ficará nada boa por lá.

A internacionalização da V8 Supercars

junho 20, 2012

Jacques Villeneuve vai competir na V8 Supercars com o carro da Pepsi

A V8 Supercars está vivendo um momento curioso em 2012. Com a popularização da categoria internacionalmente, nunca tantos pilotos fora do eixo Austrália- Nova Zelândia estiveram presentes no campeonato.

Tudo começou há alguns anos, quando a organização da categoria passou a obrigar as equipes a escolherem um competidor famoso internacionalmente para disputar a etapa de Surfers Paradise, ao lado dos participantes regulares. Pouco a pouco, essa medida não só fez com que o campeonato passasse a ser acompanhado em outras partes do mundo como também gerou interesse pelo certame nos próprios atletas.

O processo continuou no início de 2012, quando a equipe de Garry Rogers precisava de um substituo após perder Lee Holdsworth para a Ford. Conhecido por revelar alguns dos principais pilotos do campeonato (como o megacampeão Jamie Whincup, por exemplo), o time surpreendeu ao ignorar as categorias de base e acabou escolhendo pelo francês Alexander Prémat, que havia deixado a Audi no DTM.

Depois, essa internacionalização deu uma acalmada. Praticamente as únicas notícias vindas sobre os pilotos europeus diziam respeito à etapa de Gold Coast, além da confirmação de que Christian Klien vai também correr em Bathurst, mas nada demais até aí.

Só que uma nova reviravolta aconteceu nesta quinta-feira (21). A equipe Kelly anunciou que o andarilho Jacques Villeneuve vai substituir o neozelandês Greg Murphy na rodada de Townsville, no próximo final de semana. O piloto titular sofreu um grave acidente no início do ano, em Adelaide, e vinha tendo David Russell, que compete em um dos campeonatos de acesso, como substituto.

A participação de Villeneuve deve ser apenas para essa etapa, mas mesmo assim já levantou alguma discussão. Afinal, do que adianta montadoras e equipes investirem nos campeonatos de acesso se quando abre uma vaga no certame principal os times recorrem aos pilotos internacionais?

Apesar das reclamações, essa é uma discussão que não deve evoluir. É óbvio que uma das consequencias da internacionalização de um campeonato é o aumento da qualidade do grid. Assim, aos poucos os pilotos mais fracos vão ficando de fora para a chegada de gente que tem um currículo um pouco mais recheado.

Quanto aos jovens pilotos das divisões de acesso, eles não precisam ficar preocupados. Aqueles que forem realmente talentosos devem continuar a avançar sem problemas para o campeonato principal, afinal há uma demanda de patrocinadores e até mesmo de audiência para ter australianos – e neozelandeses – brigando pela primeira posição.

A V8 Supercars só precisa evitar que a situação saia do controle, como aconteceu na Indy, que durante muito tempo praticamente não teve pilotos americanos. Fora isso, pensando também do lado dos torcedores, deve ser muito mais legal ver dois pilotos com experiência de F1 se juntando à categoria, mesmo que para uma única etapa, no lugar de uma eterna promessa das categorias de base, por exemplo.

O futuro da Audi em Le Mans

junho 19, 2012

Aos 48 anos, Dindo Capello decidiu deixar Le Mans para trás

As 24 Horas de Le Mans terminaram no início do domingo, mas a tradicional corrida de longa duração ainda segue rendendo assuntos. Principalmente por causa da Audi, que após o 1-2-3 na França será obrigada a reestruturar a sua principal parceria formada por Allan McNish, Tom Kristensen e Dindo Capello.

Embora McNish tenha sido criticado por causar o acidenta na 21ª hora de competição, que resultou no fim de qualquer chance de vitória para o Audi de número 2, não o escocês que será trocado. Quem cai fora do trio é Dindo Capello, que completou 48 anos justamente no domingo da corrida.

O italiano, que está com a montadora desde 1999 e venceu a tradicional corrida em três oportunidades, resolveu que está na hora de parar. Assim, o trio com McNish e Kristensen se separa após seis anos, um triunfo em Le Mans e três nas 12 Horas de Sebring.

Com a saída de Capello, evidentemente, todo mundo quer saber quem será o novo piloto da Audi no endurance. Afinal, a partir de agora, a montadora tem duas grandes opções. A primeira é a contratação direta de algum atleta para formar o trio com os outros dois veteranos. A outra, mudar os times internos e puxar algum dos demais competidores que estiveram em Le Mans.

Não se assuste se a Audi considerar Marc Gené para a vaga

O mais provável, no momento, é a segunda opção. Eu não acharia absurdo arriscar que Marc Gené será o substituto de Capello. O espanhol foi contratado pela Audi no início desse ano para a função de piloto reserva – geralmente ocupada por algum novato – após a Peugeot ter desistido do endurance de última hora.

Talvez, a Audi já soubesse do desejo de Capello em parar e resolveu trazer alguém experiente ao perceber a oportunidade com o fim da rival francesa. Enquanto isso, Gené acabou tendo o debute na montadora alemã acelerado para esse ano, já que Timo Bernhard sofreu um grave acidente durante os treinos para Le Mans e se lesionou.

Assim, ainda é puro palpite, mas eu não ficaria surpreso caso os germânicos confirmem Tom Kristensen, Allan McNish e Marc Gené como o principal trio do time a partir do próximo ano.

Ainda sobre Le Mans, um detalhe curioso sobre Anthony Davidson. Após decolar na corrida, ao ser fechado por uma Ferrari retardatária, o inglês segue internado, com fraturas em duas vértebras. Nessa segunda-feira, ele recebeu a visita de alguns mecânicos, que lhe deram de presente o espelho retrovisor do carro de número 8, assinado por toda a equipe.

Quando viu o presente, ainda deitado na maca, o piloto perguntou: “Isso é tudo que sobrou do carro?”


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