Arquivo de maio 2012

A batalha da praia da Nascar

maio 31, 2012

A Nascar divulgou essa semana o projeto da pista na reta oposta de Daytona (clique na imagem para ampliar)

Quando a Nascar anunciou no início do ano que iria fazer um oval temporário na reta oposta de Daytona para as competições da Speedweek, o primeiro questionamento, claro, era saber como iriam fazer para montar a pista por lá, já que há um lago nessa parte do autódromo.

Embora talvez alguém tivesse esperança de uma corrida com carros anfíbios, obviamente não é isso que vai acontecer. Nesta quinta-feira, dia 31, a Nascar deu mais detalhes sobre a pista.

Já se sabia que o oval ia ter 0,4 milha, mas agora o formato do traçado foi finalmente revelado. Trata-se de um grampo, parecido com a pista de Martinsville, que não é lá muito maior. Outra novidade é o uso do restante da reta oposta como área de boxes.

Talvez você esteja se perguntando por que a Nascar decidiu fazer um oval curto dentro da pista de Daytona. Eles não pretendem que as próximas 500 Milhas sejam disputadas por lá. Na verdade, o novo oval vai sediar o que está sendo chamado de UNOH Battle at the Beach. Embora o nome sugira, também não se trata de uma corrida de Fiat Uno em Daytona. UNOH é a Universidade do Norte de Ohio, então se um dia você estiver em dúvida sobre onde fazer a graduação, você pode considerar a UNOH, assim como Harvard, USP, UFRJ…

Ok, piada à parte, a Battle of the Beach é um evento criado pela própria a Nascar para integrar as demais categorias – Nascar East/West, Modifieds e Late Models – às semanas que antecedem a Daytona 500 e já contavam com Arca, Nationwide e Truck Series, além do próprio evento principal.

A corrida, na realidade, surgiu para substituir o antigo Toyota All-Star Showdown, que era disputado na pista de Irwindale, na Califórnia, e reunia os pilotos desses campeonatos menores. Em 2011, o evento da Toyota foi bruscamente cancelado e coincidentemente – ou não – a Battle of the Beach foi anunciada em seguida.

Duas imagens para ajudar a localizar o local do oval. Primeiro a visão aérea da reta oposta…

…e essa foto que mostra examente o local do oval

A BoB será composta por três corridas. Uma de Late Models, outra de Modified, além do evento principal, com os carros da Nascar East/West. Assim como o Toyota Showdown, não é todo mundo que vai participar da competição. É preciso cumprir alguns requisitos para se classificar.

Para começar, todos os vencedores de corridas na Nascar East, West, Modified e Southern Modified estão garantidos, assim como os campeões dessas categorias. É claro que você imagina que o campeão de um desses certames tenha vencido ao menos uma vez para conquistar a taça, mas com o filho do Matt Kenseth fazendo carreira, é cogitar o contrário.

Os dez primeiros colocados no ranking americano da Nascar All American – Late Models – também estão garantidos. Por fim, os campões da Nascar do Canadá, México e Europa também tem participação assegurada. Eles só precisam escolher em qual das três corridas (Late Models, Modifieds ou East/West) desejam correr.

As demais vagas serão definidas por corridas preliminares e treinos classificatórios. Nada muito diferente para quem já estava acostumado com o Toyota Showdown.

A Nascar até criou uma página bonitinha para mostrar os pilotos que já garantiram vaga no evento – para ver basta clicar aqui. Falando apenas do evento principal, da Nascar East/West, não há muitas dúvidas que a expectativa será por um confronto entre Dylan Kwasniewski (imagina se ele chegar às categorias maiores e tivermos que escrever o nome dele sempre) e Chase Elliott. Ambos têm apenas 16 anos e são os líderes da West e da East, respectivamente. Além deles, o outro nome de peso aguardado é o de Ryan Blaney, que ainda não garantiu classificação.

E também sempre tem a possibilidade de algum piloto desconhecido aparecer e roubar a cena. Quem não se lembra da atuação de Sergio Peña no Showdown de três anos atrás, quando o então desconhecido piloto quase tirou a vitória de Joey Logano?

No final, vai ser sensacional ver como uma pista dentro de uma pista se comporta, ainda mais com um traçado estilo Martinsville, as confusões devem acontecer.

A crise na Indy que pode custar a cabeça de Randy Bernard

maio 30, 2012

Antes de dirigir a Indy, Randy Bernard era presidente da associação dos rodeios. Agora ele terá que domar um fera

A Indy vive um dos momentos mais curiosos da sua história. Depois de as 500 Milhas de Indianápolis terem sido um sucesso absoluto – mesmo com um resultado previsível –, a categoria entrou em uma crise profunda que colocam o presidente, Randy Bernard, de um lado e alguns donos de equipe do outro.

Quem revelou o problema foi o próprio Bernard. Há alguns dias, o dirigente escreveu no Twitter que alguns donos de equipe estavam se juntando para pedir a sua demissão. O motivo? Tudo leva a crer que seja uma questão política.

De acordo com o jornalista Robin Miller, do canal americano Speed, o movimento começou com John Barnes, dono da Panther. O americano não vive um bom ano em 2012 e tem muitos motivos para reclamar. O primeiro deles foi o chamado Turbogate, aquele episódio em que, antes da etapa de Long Beach, a Indy permitiu uma alteração no turbo da Honda.

Embora a categoria tivesse alegado que a mudança já havia sido aprovada e apalavrada, as equipes da Chevrolet não ficaram satisfeitas, já que o congelamento dos propulsores tinha sido combinado. Quem não ficou nada contente com o episódio foi – adivinhe – John Barnes, que foi reclamar no Twitter.

Barnes escreveu algo como “Hoje é o dia para se resolver o TURBOGATE! Eu espero que a Indy resolva essa situação porque está ficando embaraçosa”. A resposta da categoria? Multa de US$ 25 mil. Aí o cara ficou possesso. Primeiro viu a Honda poder mudar o motor, depois foi censurado no Twitter com um gancho pesado desses.

O dono da Panther, então, fez uma lista de coisas que ele odeia em Randy Bernard. Começou, claro, com o escândalo dos motores, seguiu para as multas elevadas e ainda adicionou o preço elevado dos carros – custam cerca de US$ 500 mil, sendo que o prometido era US$ 350 mil. Para a Panther, que é uma equipe decadente, cada dólar vale. Ou seja, gastar US$ 150 mil a mais com o equipamento e receber uma multa de 1/6 disso é algo que pesa no bolso.

E isso em um momento que a equipe está prestes a perder o principal patrocinador. O congresso americano deve aprovar, em breve, a proibição dos patrocínios militares em eventos esportivos como uma forma de contenção de gastos. Quando isso acontecer, a National Guard sai fora, e a Panther fica sem patrocinador. E o principal problema é que isso pode acontecer da noite para o dia.

Juntando tudo isso, Barnes chegou à conclusão de que o melhor seria pedir a cabeça de Bernard. O dono da Panther saiu ligando para um monte de colegas para ver quem se juntava a ele na caçada. Ainda segundo o Robin Miller, quem gostou do que ouviu foi Kevin Kalkhoven, da KV. Também não é absurdo pensar que Ed Carpenter e os donos da Dreyer & Reinbold estejam do lado de Barnes devido à proximidade desses dois times com a Panther.

Esse é John Barnes, dono da pantera selvagem

Outros que se mostraram a favor de Barnes é Tony George, o antigo presidente da categoria, e possivelmente Brian Barhardt, o antigo diretor de provas, que foi afastado no final de 2011 depois de se envolver em atritos com os pilotos.

Dito isso, a situação é mais ou menos a seguinte. Barnes tem um ponto interessante e as reclamações procedem. Afinal, pagar a mais por um carro é, sim, algo que implica diretamente no crescimento da categoria. A multa no Twitter foi a cereja do bolo de tão descabida que foi.

Provavelmente, o dirigente tenha procurado a Indy para falar sobre esses pontos e não deve ter sido ouvido. Então, ele decidiu se juntar com todo mundo disponível nas garagens da categoria para que tivesse uma voz. Em algum momento, o movimento mudou e passou a pedir a cabeça de Randy Bernard.

No entanto, mesmo com todas as reclamações, Bernard não deve sair. Ou ao menos não para promover o retorno de Tony George. Bem ou mal, a Indy é uma categoria financeiramente saudável. Em 2012, mesmo com a mudança do carro, a categoria não teve dificuldade nenhuma em colocar um grid de mais de 20 carros. E isso que Dreyer & Reinbold e Andretti cortaram um carro e a Newman/Haas e a Conquest deixaram o campeonato.

Há outros fatores que também beneficiam Bernard: a chegada da Izod, o fim das corridas deficitárias, os recordes de audiência e consequentemente contratos mais atraentes de televisão. Isso sem falar no interesse de pilotos renomados como Jean Alesi, Rubens Barrichello e Bryan Clauson, que fizeram sucesso em suas respectivas categorias.

Por isso, é difícil imaginar que a cúpula da Indy vá se reunir em Indianápolis e votar a saída de Bernard. É claro que Tony George não só faz parte do conselho, como também tem alguma influência por lá, mas é incoerente pensar que a melhor alternativa seja tirar o cara que livrou a categoria da dependência de Milka Duno e Marty Roth para completar o grid.

No final, Barnes quer que os donos de equipe tenham uma maior participação nas decisões da categoria. E provavelmente é nesse ponto que Bernard terá que afrouxar se quiser manter o emprego.

Todo mundo merece uma segunda chance

maio 29, 2012

Brian Scott já venceu em Dover pela Truck Series. Agora ele terá a chance de repetir a façanha

Se já não bastasse lidar com a presença dos pilotos da Sprint Cup, Nelsinho Piquet e Miguel Paludo terão um novo adversário na etapa de Dover da Truck Series, marcada para esta sexta-feira, dia 1º: Brian Scott.

O americano de 24 anos, que disputa a temporada da Nationwide de forma integral pela equipe de Joe Gibbs, vai correr na Milha Monstro para o time de Kyle Busch, no poderoso truck de número 18. A escolha, na realidade, não foi por acaso, pois os dois pilotos já se encontraram em algumas oportunidades no passado.

Para começar, quando Buschinho resolveu montar a equipe na Truck Series ele comprou a sede e os caminhões da Xpress Motorsport, equipe pela qual Scott correu na categoria e tinha o pai do piloto como um dos sócios.

Outra coisa que os dois têm em comum é o patrocinador. Tanto Scott quanto a equipe de Kyle Busch são patrocinados pela Dollar General. Então, a escolha de Brian para disputar a etapa de Dover agradou o principal investidor do time, embora o piloto vá correr com as cores de outra empresa neste final de semana.

O último fator é que a única vitória do garoto na Nascar aconteceu justamente em Dover. Em 2009, Brian Scott disputava de forma integral a Truck Series e era considerado um dos favoritos ao título devido ao bom desempenho nas últimas etapas do ano anterior. No entanto, o piloto não foi capaz de parar o sempre favorito Ron Hornaday e terminou o ano somente com a sétima colocação na classificação. Ainda assim, triunfou justamente em Dover, onde havia largado em terceiro.

Brian Scott em uma típica apresentação em 2012…

Por fim, há mais uma coisa em comum entre Kyle Busch e Brian Scott. Os dois buscam recuperação em 2012, e a etapa de Dover é uma oportunidade perfeita para ambos darem a volta por cima.

Sem o chefe pilotando, a equipe de Busch tem enfrentado dificuldade na Truck Series. Em cinco etapas em 2012, Jason Leffler havia conquistado um top-5 e dois top-10, ocupando apenas uma horrorosa 17ª posição na tabela. Mesmo com experiência na Sprint Cup, o piloto está atrás de nomes como John King, Cale Gale e Dakoda Armstrong.

Scott, por sua vez, começou o ano falando em lutar pelo título da Nationwide. No programa feito pela ESPN americana para abrir a temporada de 2012 da divisão de acesso, o piloto era entrevistado e afirmava que precisava terminar as corridas com a oitava colocação em média para ficar com o título, por isso não estava preocupado em vencer e, na verdade, estava bastante confiante.

Após 11 etapas, é difícil pensar como a situação pudesse estar pior para o piloto. A média de suas colocações finais é um péssimo 23,6, muito distante do oitavo posto tido como objetivo. Assim, Scott ocupa a 13ª colocação na tabela (atrás de Danica Patrick, Joe Nemechek, Tayler Malsam e Mike Wallace). Tudo isso é resultado de cinco abandonos e de alguns acidentes.

Aliás, o desempenho pífio de Scott tem chamado a atenção dos outros pilotos. Na última etapa, em Charlotte, após mais um acidente do carro de número 11, Scott Speed (!!!) comentou no Twitter algo como “Nossa, o número 11 bateu de novo? DEVE haver um recorde para isso”.

Assim, a corrida de Dover acaba ganhando importância extra para esses dois personagens. Enquanto Brian Scott precisa voltar a focar nas corridas e ganhar confiança para não ficar marcado como uma eterna promessa do esporte, a equipe de Kyle Busch precisa mostrar o quanto antes que pode vencer com qualquer piloto e não depende apenas do chefe para terminar no Victory Lane.

O terno de 2 bilhões de dólares

maio 28, 2012

Joey Logano teve um macacao bem chique na etapa da Nationwide em Charlotte

Joey Logano chamou a atenção após o treino classificatório para a etapa de Charlotte, da Nationwide, disputada no último sábado, dia 26. Não pelo tempo obtido para ficar com a pole-position nem pelo talento, claro, mas pelo macacão que vestia.

Por causa de um patrocinador – a rede americana de lojas de videogame Gamestop –, o piloto teve um macacão um pouco, digamos, diferente na etapa. Ao contrário das vestes de um piloto, o uniforme de Logano imitava um belo terno e gravata.

Com o piloto de Joe Gibbs na pole-position, a estratégia de marketing do patrocinador deu certo, já que todo mundo queria saber por que o piloto estava de terno e gravata em plena prova da Nascar. A ação só não foi completa, pois Logano terminou a corrida somente na sexta colocação e não pôde levar seu uniforme especial ao Victory Lane.

Nos últimos anos, a Gamestop tem apostando em uma estratégia de patrocínio um pouco curiosa. Ao invés de apenas colocar o logo das lojas no carro de Logano, eles exibem um jogo diferente a cada etapa. Assim, o carro de número 20 já foi patrocinado por Mario, pelos lutadores de Mortal Kombat, pelo Capitão América e, agora, por 47, o protagonista da série Hitman.

Embora até já tenha se tornado filme, Hitman é originalmente uma série de videogame de ação e espionagem (stealth) para Playstation, Xbox e PC.  O quinto jogo da série, Hitman Absolution, está marcado para ser lançado no dia 20 de novembro de 2012, tendo a Gamestop como uma das parceiras de marketing.

Para variar um pouco, quem comprar o título na pré-venda da rede de lojas ganha um jogo bônus – DLC – exclusivo. Então, para promover essa parceria, a Gamestop resolveu exibir o jogo no carro de Logano. No entanto, dessa vez a empresa foi um pouco mais além e também mudou o macacão do piloto, para ficar parecido com o terno usando por 47.

No ano passado, a McLaren tinha uma promoção que mudava o macacão dos pilotos nos treinos classificatórios. Então, todas as vezes que Lewis Hamilton ou Jenson Button ficavam com uma das três primeiras colocações do grid, eles apareciam para os rituais da FIA vestindo um uniforme diferente.

Alguns dos modelos ficaram muito bons, mas nenhum chegou perto do terno de Logano. O curioso é que quem fabrica os macacões da McLaren é a Hugo Boss e eles jamais pensaram em fazer algo desse tipo.

Por que Dmitry Suranovich não deve levar toda culpa pelo acidente em Mônaco

maio 27, 2012

Dmitry Suranovich em um raro momento com o aerofólio traseiro no carro

Dmitry Suranovich não imaginava que ia se tornar um dos protagonistas do final de semana em Mônaco. Com F1, GP2, GP3, World Series e Porsche SuperCup dividindo as ruas do Principado, o novo contratado da Marussia Manor na categoria menor da F1 não tinha muitos motivos para ganhar destaque.

No entanto, as coisas fugiram um pouco do roteiro na segunda prova da GP3, disputada na tarde – quase início de noite – do sábado. Suranovich estava na 11ª posição e se defendia dos ataques de Conor Daly. O americano, por sua vez, no poderoso carro da Lotus – ex-ART Grand Prix –, vivia um final de semana bastante frustrante.

Antes de encontrar o russo pela pista, Daly havia abandonado a corrida da sexta-feira com um problema na bomba do combustível. Um resultado bastante desanimador após ter vencido em Barcelona e tendo entrado na briga pelo título. Assim, o americano estava motivado em conseguir o melhor resultado possível para tentar compensar a falha mecânica.

Daly tentou de tudo nas ruas do Principado para superar Suranovich, mas os dois pilotos acabaram se tocando, com a asa traseira do carro do russo se soltando com a batida. A partir daí, era natural imaginar que o piloto da Manor fosse recolher para os boxes e abandonar a corrida. Passou uma volta, e Suranovich não tomou o caminho do pit-lane. Passou outra volta e nada.

Surpreendentemente, três giros depois e sem aerofólio, o russo seguia na pista. Sem a asa, naturalmente o ritmo dele era pior, o que permitiu uma longa fila de carros se formar atrás de Daly. O americano, por sua vez, fazia de tudo para conseguir a ultrapassagem na tentativa de somar algum ponto importante.

O resultado possivelmente você já tenha visto. O carro de Daly foi catapultado na saída do túnel ao tocar na roda traseira de Suranovich, atingindo o alambrado com violência. Por sorte, o ângulo dos impactos foi favorável ao piloto americano, que nada sofreu embora o carro tenha ficado completamente destruído. Assim, Conor praticamente renasceu após o choque, enquanto o piloto russo saiu como vilão do acidente.

É evidente que Suranovich foi bastante imprudente no lance com Daly ao bloquear com um carro sem aerofólio um adversário visivelmente mais rápido. É claro que ele merece ser punido por todo o acontecido, mas o acidente é mais do que isso. É mais do que ver um carro voando em direção ao alambrado em Mônaco.

Em primeiro lugar, após a prova, a GP3 emitiu um comunicado desclassificando o russo da corrida não só pelo acidente, mas também por ter ignorado a bandeira preta com o circulo laranja – indicação de que era obrigado a retornar aos boxes para fazer os reparos necessários. Pessoalmente, eu não vi nenhuma bandeira ser acenada. Mas é claro que fico limitado pela transmissão. Ele pode ter recebido a indicação, enquanto a televisão mostrava o duelo pela liderança.

Mas me parece muito imaturo da direção de prova jogar toda a culpa do incidente em um piloto de apenas 16 anos, que faz apenas a segunda temporada da carreira desde que saiu do kart.

Para começar, do toque entre os dois pilotos até o voo de Daly não se passaram apenas duas curvas. Foram voltas e mais voltas. Quer dizer, então, que mesmo com centenas de fiscais, além de comissários de prova e dos membros da equipe, em nenhum momento ninguém conseguiu tirar um carro sem aerofólio da pista?

Ou seja, durante três ou quatro voltas, a direção de prova mostrava a bandeira negra exaustivamente para Suranovich, a equipe gritava para que ele recolhesse aos boxes, mas o garoto endoidou e resolveu pilotar um carro quebrado – mesmo com a desclassificação iminente – pelas ruas de Monte Carlo como se não tivesse acontecido nada? Eu acho que não. Que o russo errou em não ter voltado aos boxes, isso está mais do que claro. Mas colocar a culpa toda nele pelo acidente, ainda mais em se tratando de uma categoria-escola me parece uma afobação muito grande para fazer a corda arrebentar do lado mais fraco.

Em segundo lugar, a conduta do russo no acidente não me parece tão errada. No momento em que ele bloqueou o americano, a impressão foi do piloto ter feito apenas um movimento – para a direita – para impedir a ultrapassagem. Depois, ele praticamente manteve a trajetória em que estava na curva. Levando em conta alguns lances da F1 neste ano, em que não houve punição, seguindo a mesma lógica, também não deveria ter acontecido nada em Mônaco.

Outra coisa que precisa ser levada em conta é que os dois pilotos estavam se tocando há algumas voltas. Enquanto os dois batiam rodas, os fiscais assistiam a tudo como se não fosse nada demais. O lance no fim do túnel não foi tão diferente do embate travado na Mirabeau naquela mesma volta. É claro que existe o agravante de um dos competidores estar sem aerofólio. Mas, novamente, apenas a defesa de posição não foi algo desleal.

Não encontrei uma imagem do Suranovich sem a asa, então usei todo meu talento para fabricar essa acima para voce entende o estado do piloto durante a prova

Por fim, o acidente na GP3 mostra o fracasso que é este ano. Desde o momento em que os planteis das equipes foram anunciados, estava claro que alguns pilotos não tinham a menor condição de pilotar um carro da categoria. Aí nessas horas sempre tem alguém que fala algo como: “tem um piloto das Filipinas e outro do Chipre, não tem como dar certo!”

Só que se engana quem falar isso. O filipino (Marlon Stockinger, vencedor em Mônaco) e o cipriota (Tio Ellinas) fizeram por merecer para chegar à GP3. Começaram no kart, passaram anos nas categorias menores antes de avançar ao campeonato preliminar na F1. Por outro lado, há pilotos que chegaram à categoria com experiência mínima em monopostos.

E olha que Suranovich não está entre os piores. O russo até pode ser considerado como alguém no limite entre os pilotos bons/profissionais e aqueles que descolaram uma vaga na GP3 para fazer figuração. O problema é que, na maioria das etapas, os pilotos dessas duas realidades não se encontram. Os atletas de ponta geralmente disputam as primeiras colocações, enquanto os demais brigam no fim do grid. Só que em Mônaco foi diferente. Daly – que está entre os bons pilotos – teve o problema mecânico e precisou fazer a corrida de recuperação no sábado. Deu no que deu.

Depois de tudo isso, tem gente que acha mais fácil jogar toda a culpa no garoto de 16 e acordar no dia seguinte achando que está tudo bem na categoria. Então tá…

A nova identidade dos novatos da Nascar

maio 25, 2012

Stephen Leicht finalmente ganhou uma chance de disputar a Sprint Cup

Nos últimos anos, tenho reclamado da falta de renovação de pilotos na Nascar devido ao trabalho porco que a Nationwide faz com os jovens talentos. Como praticamente não há desenvolvimento dos competidores no campeonato de acesso, a consequência é a estagnação do grid da divisão principal.

Pegando apenas os pilotos que competiram pelo Rookie of the Year, fica clara essa falta de renovação. Em 2009, Joey Logano venceu o título ao superar Scott Speed, Max Papis e Dexter Bean. No entanto, nenhum dos quatro veio da Nationwide. Logano teve aquela ascensão meteórica da Nascar East para a Sprint Cup em menos de um ano, Papis competira na Truck Series e os outros dois na Arca.

A partir daí, a coisa desandou. Tanto em 2010 (Kevin Conway) quanto em 2011 (Andy Lally), o Novato do Ano competiu sozinho. Ou seja, esses dois pilotos não tiveram o menor problema para vencer a competição, mesmo que tenham ficado conhecidos pela, digamos, capacidade limitada dentro de um carro de corrida.

A situação em 2012 parecia seguir o mesmo caminho. No início do ano, Josh Wise e Timmy Hill haviam se inscrito para participar da competição. No entanto, após não conseguir para se classificar para três das primeiras quatro corridas do ano, Hill decidiu voltar à Nationwide deixando o caminho livre para o adversário.

Parecia que Wise seria o terceiro rookie consecutivo a ganhar o título sem nenhum adversário. Mas a situação mudou na última semana. A Nascar permitiu que a equipe de Joe Falk (a que usa o carro número 33, ex-RCR) inscrevesse Stephen Leicht na disputa.

Aliás, a briga entre os dois promete ser sensacional. Wise é um daqueles pilotos de start-and-park. Das dez corridas em que participou até agora (não esteve em Daytona), em nenhuma ele chegou ao final. Na única que a equipe decidiu correr – em Richmond – ele bateu após 127 voltas. Nas duas últimas etapas (Talladega e Darlington), ele percorreu somente 24 voltas.

A situação de Leicht não é muito melhor. É verdade que a equipe do carro número 33 não é do grupo do start-and-park. No entanto, o carro é muito ruim. Nas últimas etapas, Stephen não conseguiu se classificar para a etapa de Darlington, enquanto Jeff Green ficou de fora no Kansas. Em Talladega, Tony Raines teve um problema no motor e abandonou ainda na 32ª volta. E essa é a parte boa! Tanto no Texas quanto em Richmond, o carro terminou com nove (!) voltas de atraso. Em Martinsville, foram dez (!!).

É óbvio que há uma explicação. Como a equipe não tem um patrocinador principal, ela tenta conseguir o melhor resultado positivo com o que tem à disposição. Mesmo que isso signifique muitas voltas com um pneu gasto, tomando alguns segundos por volta dos líderes. Bom, é isso ou largar e parar.

Landon Cassill é um dos pilotos que conseguiu avançar na carreira após o start-and-park (é o de vermelho)

Mas não me entendam errado, isso é uma coisa legal. Wise e Leicht são exemplos de pilotos que conseguiram furar o sistema e se graduar da Nationwide para a Sprint Cup. Espertamente, eles perceberam que as grandes equipes não estão muito animadas para trazer os jovens pilotos da categoria de acesso. Como há mais pilotos que vagas disponíveis nos times top, acaba que praticamente são os mesmos competidores, que apenas migram de uma equipe para a outra.

Assim, esse pilotos se viram com duas escolhas: voltar para casa e assistir à Nascar pela televisão ou aceitar qualquer vaga de emprego e ver até onde conseguem chegar. A imensa maioria dos pilotos (pensando também na necessidade de levar dinheiro às equipes) acaba optando por voltar para casa. Esses dois quiseram tentar levar a carreira adiante mesmo no start-and-park.

A dupla, na realidade, tem bons nomes para se inspirar. O primeiro deles é o de Landon Cassill. O antigo protegido de Jeff Gordon se viu sem muitas expectativas de seguir a carreira quando foi dispensado pela equipe Hendrick, mas contando até mesmo com certo lobby dos antigos patrões ele conseguiu descolar uma vaga de start-and-park em 2010. Na ocasião, ele se alternou entre a TRG e a Phoenix Racing. Tentou se classificar para 18 provas e só ficou fora de duas.

Assim, Cassill conseguiu causar uma boa impressão nos chefes. Em 2011, a Phoenix conseguiu um patrocinador para a maior parte das provas e acabou apostando em Cassill para tomar parte dessas corridas. É verdade que em 2011, Kurt Busch chutou o garoto da equipe de Joe Finch, mas a experiência dos últimos anos deu resultado e ele logo foi disputado por duas equipes antes de acertar com a BK Racing, onde também toma parte de todas as corridas.

Outro piloto que percebeu a sacada do start-and-park foi Erik Darnell. O americano, um dos vencedores do reality-show de Jack Roush, que buscava revelar um jovem talento, até chegou a ter uma chance na Sprint Cup, mas acabou sumindo sem muitos resultados. Depois disso, ele assinou com a Key Motorsport para largar e parar na Nationwide. Em 2011, essa equipe tinha três pilotos completando poucas voltas para que Jeff Green e Mike Bliss pudessem disputar toda a corrida. Em 2012, Darnell foi promovido e é ele quem participa de todas as provas, tendo inclusive terminado em 17º em Darlington.

Vendo esses quatro exemplos, dá para perceber um padrão. Todos os garotos tinham sido contratados por grandes equipes, mas acabaram dispensados em algum momento. Ou seja, o currículo e o sucesso nas categorias de base pré-Nascar pesou na hora de eles receberem uma segunda chance.

Stephen Leicht venceu a etapa do Kentucky da Nationwide e ganhou destaque na Nascar

Para encerrar, voltando rapidamente a Stephen Leicht. De todos os quatro (contando com Wise, Darnell e Cassill), ele é o único a ter vencido uma corrida na Nationwide. Em 2007, no Kentucky, ele competia pela equipe de Robert Yates. Naquele ano, a divisão de acesso da Nascar ficou marcada pelos grids serem formados majoritariamente pelos pilotos da Sprint Cup, mas em etapas separadas, os garotos recebiam uma chance.

Na prova do Kentucky, como sempre, Carl Edwards estava na liderança, mas o piloto foi abalroado por Steven Wallace, que ocupava a segunda colocação. Sem o favorito na pista, a equipe Yates agiu rapidamente e conseguiu colocar o carro de Leicht na briga pela vitória. No final, o garoto conseguiu superar Brad Coleman (no 18 da Joe Gibbs) e recebeu a bandeira quadriculada.

No ano seguinte, a Yates fechou, e Leicht foi contratado pela RCR, mas também perdeu espaço por falta de patrocínio, voltando agora na Sprint Cup. Mas o legal de tudo isso são duas coisas: a primeira é o reconhecimento do retrospecto vencedor do piloto na hora de voltar à Nascar alguns depois e outra é a entrevista que Carl Edwards deu após a corrida do Kentucky. No vídeo abaixo, após abandonar a prova, o piloto vai para aquele momento de praxe de agradecer os patrocinadores, mas erra o nome de um deles ao chamar a Sharp de Sony. Ao perceber a gafe, ele passa a entrevista toda tentando concentrar e promovendo o investidor. Sensacional!

A frustração de Sebastian Vettel com o GP da Espanha

maio 24, 2012
Sebastian Vettel

A falta de uma performance dominante na F1 parece começar a incomodar Sebastian Vettel, que tem procurado desculpas para justificar os erros dele e principalmente da Red Bull

Sebastian Vettel tem surpreendido na hora de dar entrevistas em 2012. Talvez a falta de vitórias e as incertezas quanto ao tricampeonato estejam incomodando o piloto da Red Bull.

Primeiro, no Bahrein, o alemão havia dito que ir ao país asiático – movido por uma guerra civil de cunho principalmente religioso – não é diferente de vir ao Brasil, por exemplo, onde por mais que haja problemas de segurança pública, exército nas ruas, prisões arbitrárias, emboscadas e bombas não fazem parte da nossa rotina.

Depois, nesta quarta-feira, em Mônaco, o alemão voltou a derrapar na hora de dar algumas declarações. Em uma entrevista, o germânico afirmou que não consegue entender o problema da Red Bull, pois em algumas provas o carro é dominante – como aconteceu no Bahrein – e em outras sequer consegue chegar no pódio, que foi caso na última etapa no GP da Espanha.

Para tentar justificar o desempenho, Vettel disse que a Red Bull, em Barcelona, começou muito bem o final de semana, mas viu as outras equipes melhorarem surpreendentemente para o treino classificatório. Isso é verdade. O bicampeão terminou os dois treinos livres da sexta-feira na segunda colocação e foi o mais veloz no sábado, poucas horas antes da definição do grid de largada.

O que o piloto esquece é que as outras equipes não deram um pulo mágico na classificação. Os seus adversários fizeram apenas o que parece óbvio: deram a volta mais rápida possível no momento de definição do grid de largada.

Aliás, essa parece uma tática bastante inteligente para falar a verdade. Em cinco corridas até o momento neste ano, em três o vencedor largou da pole-position. Nas outras duas, Jenson Button saiu em segundo para superar o companheiro de equipe, Lewis Hamilton, e triunfar na Austrália, enquanto a intempérie na Malásia mudou toda a ordem da corrida e deu a vitória a Fernando Alonso, que havia sido o nono no grid. Assim, não é absurdo falar que em condições normais o vencedor largou sempre na primeira fila.

E o que isso tem a ver com Vettel? É que ele não treinou na Espanha. Naquela frescura que as equipes têm, a Red Bull optou por não participar do Q3 no circuito catalão para poder escolher com qual tipo de pneu iriam começar o GP. Assim, o alemão foi obrigado a largar na sétima posição.

Obviamente, em uma temporada como a de 2012, em que a distância do primeiro colocado para os demais concorrentes pela vitória está cada vez menor – em que não há uma equipe dominante – não me parece uma boa ideia sair apenas da quarta fila. Sério mesmo que depois de ver Lotus e Sauber (isso para não falar da surpreendente Williams) com ritmo de prova tão bom quanto o das grades equipes, a Red Bull achou mesmo que o germânico conseguiria ultrapassar seis adversários para ficar com a vitória na pista catalã?

Para piorar, o próprio alemão reclamou de largar tão atrás do grid. O piloto disse que por ter saído apenas da sétima posição em momento algum conseguiu brigar pela vitória, tendo chegado ao máximo no quinto lugar. Novamente, isso é verdade, mas foi uma escolha da própria Red Bull. Ninguém impediu que a equipe austríaca participasse do Q3 na Espanha.

Portanto, dá para chegar a duas conclusões. Ou o piloto esqueceu tudo o que aconteceu no treino classificatório e agora está procurando alguma desculpa para justificar a falta de resultados, ou ele está mandando uma mensagem para o próprio comando da Red Bull, via imprensa, de que ele não gostou da tática em Barcelona. Imagino que independentemente da alternativa, ele já está errado.

Embora não tenha se encontrado com as palavras, Vettel obviamente é um dos melhores pilotos do grid. Caso contrário, ele não seria o líder do campeonato. Mas é curioso ver o que acontece em uma equipe grande – e principalmente na capacidade de verbalizar de seus pilotos – que começa a enfrentar um jejum de vitórias.

Indy – erro 404

maio 23, 2012

Em um tempo não muito distante, receber uma mensagem de erro 404 era quase o fim do mundo

Nos últimos anos, principalmente com o boom das páginas de busca na internet – também conhecidas por Google – o temido erro 404 tem se tornado cada vez menos um problema.

O tal erro acontece quando o cliente (geralmente você, o cara que está usando a internet) não consegue se comunicar com o servidor do site/blog que está tentando acessar. Geralmente isso acontece porque você não tem acesso ao conteúdo procurado ou – mais comum – você digitou a url errada.

Antes do Google – e dos motores de busca no geral – as pessoas literalmente tinham que adivinhar o endereço das páginas que tinha que acessar. Como nem todo mundo criou endereços óbvios e fáceis de acessar, cada tentativa malsucedida gerava um erro 404.

Pouco a pouco as empresas perceberam que é uma boa coisa personalizar as páginas de erro, colocando ao menos um link para o conteúdo que você busca. A ideia, claro, é evitar perder a parte da audiência que se deparou com o erro. Assim, os sites na internet começaram a colocar mensagens engraçadinhas toda vez que esse problema acontecia.

Consequentemente, surgiram até alguns sites que catalogam as páginas de erro 404 mais criativas.

Bom, por que estou contando isso? É que a Indy resolveu entrar na brincadeira e também criou uma página personalizada. Como não poderia deixar de ser, a temática obviamente é o automobilismo, e o resultado ficou bastante engraçado, pois remete a uma tradicional figura do esporte a motor nos Estados Unidos: os rápidos caminhões de resgate.

O resultado você vê abaixo:

O terceiro brasileiro a vencer na Nascar

maio 22, 2012

Pilotando um Camaro de número 42, Adriano Medeiros se tornou o terceiro brasileiro a vencer na Nascar

Depois de Pietro Fittipaldi e Nelsinho Piquet, mais um brasileiro conseguiu a façanha de vencer na Nascar. Neste final de semana, em Brands Hatch, Adriano Medeiros conquistou a vitória na divisão Open da Euro Racecar, a Nascar Europeia.

No início do ano, eu já tinha feito um post aqui no World of Motorsport explicando como é essa Euro Racecar. Basta, apenas, clicar aqui para relembrar. Como o campeonato é, sim, reconhecido pela Nascar e tem o mesmo peso dos certames do México e do Canadá, então o triunfo de Adriano vale como qualquer outro.

Voltando à categoria europeia, cada final de semana é composto por uma rodada dupla de longa duração. Basicamente, metade da prova competem os pilotos da divisão principal –Elite Division – e metade os gentleman drivers da Open Division, onde o brasileiro compete. A classificação e os resultados de cada divisão são contabilizados separadamente.

Assim, Medeiros entrou no carro número 42 que divide com Carole Perrin, saindo na segunda colocação. Duas voltas depois, ele ultrapassou o então líder David Perisset para seguir rumo à bandeira quadriculada. O curioso do triunfo é que essa foi a estreia do brasileiro no certame. O piloto já havia terminado na sexta colocação na prova do sábado, e assim ocupa o 18º lugar na classificação.

Após o bom resultado, Medeiros busca patrocinadores para disputar o restante da temporada do certame. A próxima etapa da Nascar Europeia acontece nos dias 9 e 10 de junho em Spa-Francorchamps. Na divisão principal, as vitórias ficaram com Ander Vilariño e Javier Villa (o mesmo ex-GP2 e que chegou a ser especulado na HRT para esse ano).

Depois de tudo isso, só faço um adendo. Nascar em Spa-Francorchamps? Acho que em poucos anos as equipes da Nationwide devem olhar com atenção para esses pilotos na hora de arrumar alguém para as etapas em circuitos mistos.

Bump Day às avessas

maio 20, 2012

Normalmente, o 33º colocado é o héroi em Indianápolis, por todo o drama que envolve o Bump Day. No entanto, dessa vez Sébastien Bourdais roubou a cena

Neste domingo, dia 20, aconteceu o temido Bump Day para as 500 Milhas de Indianápolis. No entanto, ao contrário dos últimos anos, dessa vez não houve emoção. Como 33 pilotos estiveram em busca das 33 vagas para a Indy 500, ninguém ficou de fora, então os competidores puderam dar uma aliviada na hora de buscar uma vaga.

Assim, a grande história do final de semana acabou sendo o bom desempenho de Sébastien Bourdais. O francês, que só recebeu o motor Chevrolet na quinta-feira, conseguiu um tempo de volta tão bom que lhe daria a 15ª colocação no grid – na frente dos carros da Ganassi – caso tivesse sido conquistado no sábado. Como o tempo só veio no Bump Day, o tetracampeão da Champ Car será obrigado a largar da 25ª posição.

O curioso disso tudo é que a partir de Bourdais houve uma inversão de valores no Bump Day. Geralmente, o piloto que sai consagrado do domingo em Indianápolis é aquele que larga em 32º ou 33º após conseguir a vaga de forma de forma dramática nos últimos momentos de atividade. Em 2010, por exemplo, foi assim com Sebastian Saavedra. Na ocasião, o colombiano ficou sabendo que havia se classificado, quando já estava no hospital após ter sofrido um forte acidente na tentativa de melhorar a marca.

Por outro lado, o piloto que fica com a 25ª posição normalmente não é lembrado. Como ele tem um desempenho muito superior aos adversários, rapidamente se garante no grid da Indy 500 e apenas à briga pelo 33º lugar.

Dessa vez foi o contrário. Como não houve um duelo pelas vagas finais do grid, quem se destacou foi justamente o 25º colocado. Talvez na história da Indy haja um monte de Bourdais. Isto é, gente que conseguiu a classificação nos primeiros instantes do Bump Day, mas que teria desempenho para brigar pelos primeiros lugares da tabela. No entanto, esse pessoal não é lembrado, por causa da concorrência desleal com o drama do duelo pela 33ª posição.

Atual pole-position em Indianápolis, Ryan Briscoe correu pela Dragon na Indy 500 de 2007 e aproveitou a chance de mudar a carreira

De qualquer forma, o sucesso de Bourdais não é tão surpreendente. Com um currículo tão ganhador, não há muitas dúvidas da capacidade do francês. E o equipamento da Dragon é bom. Apesar de a equipe de Jay Penske ter enfrentado dificuldades nos últimos anos, o dirigente tem se esforçado para mostrar que pode ser um dono de equipe tão bom quanto o pai – Roger Penske –, mas sem precisar herdar o império da família.

Em um dia em que a equipe Dragon terminou tão em alta, é curioso lembrar que foi por esse time que Ryan Briscoe teve a grande chance da carreira na Indy.

Em 2007, Jay Penske montou a equipe ao lado do sócio Steve Luczo, um empresário do ramo de HDs, para participar da Indy 500.  Como o time estava debaixo da asa da Penske, Jay acabou contratando um dos pilotos de Roger na ALMS para participar da prova, o escolhido foi Briscoe, o pole-position da edição de 2012 das 500 Milhas.

Até aquele momento, a carreira de Briscoe estava em baixa. O australiano havia estreado na Indy pela Ganassi, em 2005, mas ficou conhecido por destruir o carro em acidentes sérios. No ano seguinte, sem emprego, o piloto acabou assinando com a Penske na ALMS. O passo atrás na carreira deu certo, Briscoe venceu três corridas naquele ano e foi chamado por Jay para correr em Indianápolis. Assim, quando Sam Hornish deixou a Indy para correr na Nascar, a promoção do australiano foi algo natural.

Por fim, é interessante perceber como a Indy 500 tem a capacidade de mudar a vida dos pilotos, mesmo daqueles que não vencem a prova. Acho que é por isso que se trata de uma prova tão especial do calendário. E talvez por isso ele não merecesse um Bump Day tão desvirtuado quanto foi o de 2012.


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