O balanço da primeira metade da F1 2011 – parte 1
As férias de verão da F1 estão chegando ao fim. Este é o último final de semana que os pilotos têm para aproveitar antes de voltar às equipes na terça-feira e começarem (e encerrarem) os preparativos para a viagem à Spa-Francorchamps, onde a categoria disputa a 12ª etapa da temporada 2011.
Aproveitando que a F1 ainda está de férias, o World of Motorsport faz um balanço da primeira parte da temporada para cada uma das 12 equipes, além de avaliar o que o time pode fazer para a segunda parte do campeonato fora as mudanças em relação a 2012.
Nesta quinta-feira, falo sobre Red Bull, Ferrari, McLaren e Mercedes, as chamadas equipes grandes. Na sexta é a vez de Renault, Sauber, Williams e Force India, enquanto Toro Rosso, Hispania, Lotus e Virgin ficam para o sábado.
Red Bull: A temporada 2011 não poderia ter começado de forma melhor para a Red Bull, Sebastian Vettel venceu seis das primeiras oito corridas, enquanto nos 11 GPs disputados até agora, apenas os rubro-taurinos largaram na frente. Um desempenho sensacional.
Apesar de toda essa vantagem, a Red Bull está em alerta por dois bons motivos. O primeiro é que desde o GP de Valência o time não ganha. De lá para cá, Fernando Alonso, Jenson Button e Lewis Hamilton já subiram no lugar mais alto do pódio. Esse fraco momento, porém, não diminuiu a vantagem de Vettel na tabela de pontos, que ainda está 85 na frente de Webber e 88 na de Hamilton.
O problema é que a Red Bull quer voltar a vencer. Para eles não é uma questão de se reunir em Milton Keynes e dizer “é, a mágica acabou”. Eles tinham um desempenho dominante e querem voltar à boa fase. Infelizmente para o time austríaco, o carro se adapta melhor a pistas que exigem muita downforce, o que não é o caso de Spa-Francorchamps e Monza, as duas próximas etapas. Nas corridas restantes, tudo volta ao normal e os rubro-taurinos são favoritos absolutos.
O outro problema é em relação a Mark Webber. Mesmo com um carro superior, o australiano não é nem sombra daquilo que foi em 2011, quando disputou o título até as corridas finais. Dessa vez, o piloto ainda não venceu e está marcado por uma série de exibições burocráticas e péssimas largadas, mesmo quando conquista a pole-position. A má fase de Webber pode não ter relação com o declínio da Red Bull, mas talvez ter dois pilotos motivados e lutando pela vitória em cada etapa possa melhor para o desenvolvimento do equipamento.
Em 2012: A tendência é que a atual dupla seja mantida para a próxima temporada. Mark Webber deve renovar em busca de mais um ano para tentar conquistar o título, já a Red Bull não tem escolha. O mercado está travado e não tem ninguém para entrar no lugar do australiano.
O que aconteceu no mercado da F1 de 2012 é que as equipes grandes ficaram cada uma no seu canto esperando as adversárias se mexerem. Caso uma mudasse de piloto, a tendência é que todas as demais mudariam também. Por isso Lewis Hamilton foi especulado na Red Bull, Jenson Button, na Ferrari, e Felipe Massa, na Mercedes. Como ninguém demitiu ninguém e muita gente tem contrato até o próximo ano, Webber só sai da Red Bull se quiser, e esse não parece ser o caminho que o australiano vá tomar.
Ferrari: A equipe italiana começou o ano pessimamente mal ao só conseguir o primeiro pódio na quarta corrida, no GP da Turquia. Entretanto, desde então, Fernando Alonso só não subiu ao pódio em duas oportunidades, na Espanha – quando foi quinto – e no Canadá, onde abandonou.
Felipe Massa, por outro lado, teve um campeonato oposto. Embora as primeiras corridas do brasileiro não tenham sido boas, o problema era mais o equipamento que o próprio rendimento do brasileiro. Tanto é que a pontuação de Massa era similar a de Alonso até o GP da Turquia.
Após a corrida de Istambul, quando o brasileiro foi 11º e viu o companheiro subir ao pódio, cada um tomou um caminho diferente. O espanhol teve o rendimento já citado, enquanto Massa é constantemente o último colocado entre os pilotos de Red Bull, Ferrari e McLaren.
A diferença de Fernando Alonso para Sebastian Vettel é muito grande, 89 pontos, por isso a decisão de Maranello é a seguinte: se eles conseguirem se aproximar bastante nas próximas duas corridas, quando são teoricamente favoritos, seguem na briga pelo campeonato. Do contrário, o foco vira o ano que vem.
Em 2012: Fernando Alonso tem contrato até 2016, então vai ficar na equipe e deve ter Felipe Massa como companheiro. Além de o brasileiro ter contrato com o time italiano, a Ferrari sofre do mesmo problema que a Red Bull de não ter quem colocar no lugar. O problema ficaria para os próximos anos. Stefano Domenicali já disse que o ideal para a equipe é mesclar um piloto experiente com um jovem promissor. O experiente é Alonso, que acabou de renovar o contrato, portanto, creio que alguém vá dançar no futuro.
Outro destaque na Ferrari vai ser aquele treino entre Sergio Pérez contra Jules Bianchi. Embora ele não deve valer muita coisa, o vencedor pode dar um argumento à Ferrari do porquê deve ser escolhido para o lugar de Felipe Massa.
McLaren: Participar da temporada 2011 da F1 de forma competitiva parece ser um milagre para a McLaren. O time inglês teve sérios problemas no desenvolvimento do carro e, durante a pré-temporada, demonstrou um ritmo muito abaixo do esperado. Apesar disso, uma série de componentes foi refeita para a corrida de Melbourne e mesmo sem testes eles deram certo.
Desde então, Hamilton e Button venceram duas vezes cada, mas ambos estão distantes de Vettel na classificação. A estratégia no restante da temporada deverá ser similar à da Ferrari. Caso consigam grudar na Red Bull nas próximas etapas, eles devem seguir focados na batalha pelo título. Do contrário, o jeito é passar a pensar em 2012.
Em 2012: Quando eu falei que as equipes grandes estavam esperando uma iniciativa de uma delas para começar a mudar os pilotos, isso não inclui a McLaren. Lewis Hamilton e Jenson Button devem ficar para ao próximo ano e muito provavelmente por ainda mais tempo. Apenas uma proposta milionária poderia tirar um deles da equipe. Mas lembre que Button foi especulado na Ferrari e Hamilton, na Red Bull.
Mercedes: A temporada 2011 da Mercedes é muito ruim. Se no último ano a equipe alemã conseguiu brigar pelo pódio com certa frequência, no atual campeonato o melhor resultado é a quarta colocação obtida por Michael Schumacher no GP do Canadá. Embora Nico Rosberg tenha sido presença constante na zona de pontos, o alemãozinho está cada vez mais distante da cobiçada primeira vitória da carreira e, nas últimas etapas, andou atrás até mesmo da filial Force India.
A Mercedes só não deve mudar o foco para 2012 porque um vexame nesse final de temporada pegaria muito mal para a montadora. Então, a tendência é que as atenções sigam divididas entre o desenvolvimento do atual carro e o desenho do equipamento do próximo ano.
Em 2012: Muito se especula em relação ao futuro de Michael Schumacher na F1, mas o alemão deve continuar na próxima temporada. O heptacampeão quer cumprir os três anos de contrato com o time alemão e por isso deve retornar no próximo ano. Além disso, embora o rendimento na pista não seja bom, o carro da Mercedes também é bastante ruim, por isso não dá para falar o quanto ali é que o piloto esteja enferrujado.
Com a pista molhada, Schumacher conquistou o quarto lugar no GP do Canadá, que, aliás, foi o melhor resultado do time até aqui neste ano. Se isso não permite dizer que o alemão está no auge da capacidade, ao menos o isenta de ser o único culpado pelo fraco resultado do time em 2011.
Caso ele decida parar, um dos pilotos da Force India – Adrian Sutil, Paul Di Resta ou Nico Hulkenberg, deve ser alçado.
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Tags: F1, F1 2011, Felipe Massa, Fernando Alonso, Ferrari, Jenson Button, Lewis Hamilton, Mark Webber, McLaren, Mercedes, Michael Schumacher, Nico Rosberg, Red Bull, Sebastian Vettel
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